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Violet Clouds

Devia ser sempre assim.

Gosto de dias como o de hoje. Do tipo de dias em que o Sol brilha logo pela manhã e consigo acordar sem a necessidade de ter um despertador para isso. Sendo Domingo, estou em casa e não ando a caminhar pelas ruas a tentar afastar-me dos gritos, das más línguas e das conversas alheias que muitas vezes me fazem questionar a sanidade desta nossa sociedade, que a meu ver está cada vez mais degradada.

Acima de tudo, estou longe de me questionar vezes sem conta se estou no sítio certo, se estou certa ou errada, se de facto a minha opinião é útil para algo, já que a minha habilidade para debates é pouca ou inexistente. Ou seja, não me massacro constantemente por me querer moldar a um grupo de pessoas que toda a minha vida, e até mesmo nos dias de hoje, são contra tudo aquilo que sou e penso.

 

Não me dói a cabeça nem tive pesadelos. Ainda não surgiram tópicos de conversa que me tirassem do sério ou que abalassem a minha sanidade. Dei por mim, mais uma vez, a sentir a falta dos dias antigos. Desta vez não foi só do ambiente em que vivia, da mentalidade diferente que me rodeava e me dava liberdade para ser eu mesma ou do estilo simplista de vida ao qual fui educada e conseguia ter. Tive saudades desta pessoa, da que sabe quem é e o que quer, da miúda que se sentava a escutar o barulho da rua pela janela e das pessoas que viviam junto dela. Senti saudades dos dias em que ouvia conversas dos residentes da associação que eu e a minha tia ajudávamos e de aprender com elas. Ou até mesmo de me sentar junto dos outros miúdos com a minha idade e falarmos sobre coisas que gostávamos e não de futilidades como as que tenho ouvido de segunda a sexta, fora de casa. Saber que será difícil reunir-me aos amigos de infância e de praticamente toda uma vida, saber que vou ter de conviver com pessoas que a mim não me são nada e tão pouco as compreendo é algo que agora não me atormenta. Porque as memórias que guardo, das lições que aprendi, das batalhas que travei e dos momentos que tive a chance de viver deixam-me uma réstia de esperança que sussurra constantemente aos ouvidos a mesma coisa.

 

"Um dia vai tudo bater certo."

 

Gostava que estes episódios de lucidez durassem mais tempo. Gostava de me sentir bem e não me importar com o facto de não me sentir encaixada mais vezes, senão permanentemente. Talvez ao registá-lo o consiga recordar. Talvez desta forma não me perca tantas vezes até voltar ao caminho certo.

Isso e o facto de que tenho toneladas de saudades da minha irmã. E já disse muito.

 

(Por curiosidade, aqui eu tinha qualquer coisa como... 15 anos, acabadinhos de fazer.)

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