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Violet Clouds

Passado e Presente

Finalmente, estou de férias. Pelo menos de "trabalho". Até 2016 terminaram os resumos, as fichas, as birras e as correrias. Agora vem estudo na mesma, mas focado em mim. E vem o Natal. E mais tempos conturbados que espero vir a ultrapassar muito rapidamente.

No entanto, o 1º período terminou connosco a reflectir seriamente acerca da educação dos dias de hoje. Não uma crítica às escolas, mas sim uma aos alunos. E antes que me mordam, há que ter em conta que uma crítica nem sempre é negativa. Por vezes pode ser tomada em conta para melhoramentos, ainda que nesta situação não passa de um desabafo. A verdade é que tenho 22 anos e dou explicações desde os 14, apesar de ser sempre a uma ou duas crianças. Vejo familiares a darem explicações desde quase que me lembro de que sou gente. E deixa-me deveras desapontada olhar para os alunos.

Com isto não quero dizer de que as crianças dos dias de hoje não têm potencial ou sejam irremediáveis, nem tão pouco de que a culpa seja única e exclusivamente deles; isso é tudo fruto de vários outros factores que dão muito pano para mangas. Mas frustra-me dar aulas a crianças que não estão nem aí de me ouvir. Ou que recorrem a mim como uma espécie de cábula com pernas, ou o famoso do "desenrasca". Ainda há muito pouco tempo uma das crianças me disse que não fazia a menor ideia de porque é que tinha de fazer mais trabalhos e exercícios, se os testes já tinham terminado - e que para receber explicações, já lhe chegavam as do professor. Acho que mudei de cores várias vezes com isso, mais uma vez, devido a vários factores que só nesse argumento se manifestavam de errado. Claramente que também sou contra a massificação de matéria a que eles são sujeitos, mas como já verifiquei várias vezes, até na minha altura de estudante fazíamos mais. Muito mais.

E a diferença reside no que fazíamos e porquê. Recordo-me de há alguns anos ver miúdos da minha idade ou pouco mais velhos recorrerem a ajuda para estudar. Estavam preocupados, queriam ter sucesso, todos eles conscientes de que o nosso país não nos daria muitas oportunidades. A ideia de chumbar, ficar para trás e ver o seu sonho desvanecer-se por culpa das próprias mãos amedrontava-os. Alguns confessavam que queriam tentar ter a possibilidade de dar uma vida melhor aos filhos do que aquela que tinham. E atenção, não eram menos entusiasmados ou mais atinados do que os alunos dos dias de hoje. Tinham as suas manias, as suas pancadas, as suas brincadeiras tontas e as suas modas (como alguns talvez se lembrem, quando paravam obrigatoriamente às 17h porque ia dar o Dragon Ball). Mas estudavam porque queriam. Tinham algo em mente, queriam superar-se cada vez mais, tinham objetivos. Raramente imposto por outros. Sabiam o que queriam já de uma tenra idade. Esclareciam as dúvidas que tinham as vezes necessárias e orgulhavam-se de alcançarem esses mesmos objetivos.

Não vejo esse brilho nos olhos dos estudantes de hoje.

E compreendo que haja vários motivos para tal - mais pano para mangas, ou não tarda já dão para completar uma camisa inteira - mas... Nem tentam. Entristece-me ver os pais tentarem e falharem. Contentam-se com o médio, sonham sem cabimento (como por exemplo querer praticar uma carreira que requer uma média alta mas esforçarem-se, não senhora). Recorrem aos atalhos, ao mais fácil, tapam os ouvidos ao que é chato. Só tentam quando é demasiado tarde ou quando apanham sustos valentes. Em parte percebe-se porquê. Afinal de contas, ninguém espera prosperar num mundo cruel como este. Complicações, imoralidades, guerras, etc.

Mas é no meio da escuridão que as estrelas conseguem brilhas mais e destacar-se. E guiar alguém perdido. Se tods desistirmos de seguir um sonho, de sermos uma estrela, então que esperança há para nós próprios e para quem amamos quando tudo o resto está escuro e rendido?

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