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Violet Clouds

Redefinir prioridades.

Boa noite, gente!

 

Sim, já tenho portátil de novo. Fiz da minha cozinha uma sala de operações para Transformers e três horas depois, o bicho estava arranjado. Na mesma noite desmonronou o armário do meu quarto, mas já se esperava.

 

Hoje foi o segundo dia de 30 do estágio. Não quero sequer fazer mais contas à cabeça para saber quanto tempo falta, em vários formatos, até porque saber que daqui a 8 semanas o curso acaba de vez reconforta-me muito mas muito mais. Mas sim, as coisas hoje já foram diferentes e começam a chegar-me certezas ao meu ser que antes estavam pertíssimo de estar definidas.

É um bom estágio. Entro às 9h, tenho 1h de almoço e posso sair tanto às 17h como às 18h se tiver de compensar horas. Entre fazer pesquisas, desenvolver projectos e esperar por trabalho, faz-se bem. Mas há alguns anos que tinha esta incerteza, e tenho vindo a ter a sua resposta com este evento. E é por estas e por outras que as pessoas me acham estranha ou diferente, mas chega. Não dependo dos sonhos dos outros para sonhar com as mesmas coisas. E devo muito do que sei à pouca experiência de trabalho que já tive até agora.

Passei a compreender o que quero mesmo da faculdade. Vejo muita gente da minha idade a candidatar-se a cursos que nunca sequer sonhou com eles ou a afogarem-se em dívidas para terminarem a faculdade cedo e a resposta que me dão é "ao menos tenho uma licenciatura aos 20 e tal". Quero ir para a faculdade para tirar Psicologia porque gosto do tema, é algo que gostaria mesmo de estudar e seguir. Não é urgente. Não é novidade que uma licenciatura em Portugal não alimenta ninguém, muito menos de Psicologia. Portanto a faculdade pode esperar sim, pode esperar para que eu lute por ela e por um sustento. Não tenho de me sentir inferior a ninguém apenas porque sou das poucas do meu grupo de amigos e conhecidos que não está na faculdade.

Mas hei-de entrar um dia.

 

No que toca ao famoso emprego de sonho, pensa-se na questão que já nos foi colocada a todos nós e que nesta década teve uma grande mutação. "O que queres ser quando fores maior" tornou-se num "O que queres fazer quando fores grande e estiveres no desemprego?". E depois de tudo isto, sei que não quero um emprego (não um trabalho). Não quero estar num local onde o silêncio reina mais, as horas passam e se está dependente de um monitor. Ou de um telefone. Ou de seja o que for. Onde não nos possamos desenvolver, ser criativos. Ao longo dos anos descobri que quero um trabalho: onde tenha interação natural, onde possa fazer alguém sorrir ou ajudar alguém, onde possa ser eu.Tudo isto tem-me feito pensar na hipótese de abrir um negócio pequeno com a minha tia, algo que é muitas vezes falado e sonhado por aqui. Ou ir para os bombeiros quando ela estiver melhor do punho. Apenas sei que me sinto muito menos receosa quanto ao tema "procurar trabalho" e consigo abrir o leque de opções um pouco mais do que antes. Mais do que em Outubro de 2013.

 

Isto é o que dá, um certo bichinho no estômago que nasce quando recebemos o primeiro sorriso de gratidão. Saber que podemos um dia acordar cedo e ir trabalhar com vontade ou bem-dispostos, e não a arrastar-nos. Saber que é possível trabalhar para sustentar a família e fazer com que esse tempo, apesar dos senãos e dos problemas que possam surgir, valerão sempre a pena e poderá sempre surgir uma boa surpresa de onde menos se espera.

 

Desculpem-me, este é o meu desabafo. Não é uma crítica a ninguém nem nenhuma indirecta. É um desabafo.

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