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Violet Clouds

Lógicas da Batata #9 (qualquer coisa)

O número é o dez, mas houve por aí uma temporada em que não as entitulava com o nome da rúbrica de tão danada que estava.

Desta vez não é assim tão grave mas não posso deixar de reclamar.

É preciso alguém estar com uma grande fé de que é desta que volta a pegar nos estudos para que os hipermercados e as papelarias não vendam material de jeito?! O ano passado era só coisas giras, há dois anos igualzinho, este ano vai que não vai... Nada. É verdade que não preciso de muita coisa; ou já tenho a maioria das coisas em casa de anos anteriores de aulas e explicação, ou é porque não vai ser preciso muito já de antemão. Também devia de estar atenta a que tipo de malas deve alguém usar, porque as mais discretas e simples... Não as vejo em lado nenhum.

 

Já não se usam malas de mensageiro ou... Tenho mesmo razão e a oferta de material escolar hoje em dia é mesmo horrível?

Mais uma palhaçada do Governo.

As notas da segunda fase já saíram e ainda não eram 23h quando descobri que não tinha entrado nas minhas opções. Fiquei abalada, porque era com esta fase que estava a contar e por muito que tentei baixar as esperanças seguindo raciocínio lógico, tinha aquela réstea de esperança a dizer-me que talvez, só talvez, fosse conseguir. Era impossível de não acreditar no que os amigos diziam, foi confortante ver que alguém acreditou em mim.

Ver que não fui colocada doeu-me. Lembrei-me de todos os que me disseram para ter fé e que tinham a certeza que eu ia conseguir: falhei-os a todos. Falhei comigo mesma. Não sei bem como é que vou olhar para eles depois disto acontecer. Senti-me invadida por questões retóricas a bombardearem-me os pensamentos à procura de uma resposta. Terei feito o meu melhor? Estarão todos enganados? Será que é mesmo esta a melhor opção para mim? O que é que vou fazer?

Até que a meia-noite chegou e fui ver os detalhes, só por descargo de consciência. Estava ali alguma coisa errada: ambas as opões requeriam provas diferentes e por consequência, médias de provas de ingresso diferentes. Por muito que tivesse sido posta de parte por um valor, que faz bastante diferença, aqueles números estão errados. E quando até uma maldita décima tem tanto valor, a raiva justifica-se. Aquilo não podia estar certo e eu tenho o direito a essa decência, a saber os valores corretos. Agarrei naquilo e mostrei-o a quem já passou por isso e está na faculdade, talvez estivesse louca.

Não estava. Vimos todos o mesmo.

Ao que me leva ao óbvio, ao que oiço os universitários confessarem: cada ano que passa, o Ensino Superior está cada vez pior, uma anedota pegada. Aliás o Ensino Geral está uma piada de muito mau gosto. Levamos doze anos a lutar por boas notas e a sermos empurrados para a faculdade porque sim, porque ter o secundário feito já é muito banal e temos de ser melhores e apostar em qualquer coisa. Se entrarmos, somos massacrados pela Licenciatura fora com erros crassos dos sistemas e projetos escolares cujo foco é por norma a favor da escola (tais como alunos de Artes Visuais a trabalharem em propriedades de Arquitetura e Físico-Química para reconstruírem os edifícios). Se falharmos vamos para o mercado de trabalho, muitas vezes sem o primeiro emprego, onde nos pedem mais experiência do que idade e depois de adquirida essa experiência, somos demasiado velhos.

E no IEFP se for necessário, voltam lá para nos reincentivarem a tentar entrar na faculdade novamente. A fazer os exames, a pedir bolsas e a roer as unhas até Setembro. Para sermos negados outra vez. Para voltarmos à estaca zero.

Para que depois de tanto esforço e trabalho em vão tenhamos de fazer uma força enorme para não cair numa crise de identidade. Para duvidarmos de nós próprios outra vez.

Obrigada Portugal por doze anos de ensino onde me motivaram a ultrapassar os meus limites e a ser melhor a cada dia para depois isso não valer absolutamente nada.

 

Teimosia em pleno.

Nunca me senti tão assombrada, triste e desiludida, tudo ao mesmo tempo, como ontem. Estava angustiada comigo mesma por não ter tomado as devidas precauções atempadamente. O meu namorado consolou-me e apoiou-me para tentar a única solução que tinha de salvar oito anos de memórias guardadas num disco externo.

 

Corri três lojas e apenas me senti bem atendida na primeira. O rapaz foi prestável e imediato, avisando-me de que estava no sítio errado para o que queria fazer e das consequências do que estava a tentar fazer. Agradecida, dirigi-me à segunda loja. O senhor que não tão amavelmente me atendeu fez de mim burra. Evidentemente que não o posso culpar por tentar ser o mais explícito para uma cliente da qual não faz a menor ideia do que sabe, mas que me despachou num instante e me quis tirar todas as esperanças possíveis, tentou e quase conseguiu. Foi rude e não se atreveu a dar-me uma solução honesta.

Claro que me dirigi ao terceiro técnico mais amarga e já ia tão atordoada que não me fazia entender em metade das minhas palavras (como se já não bastasse a típica atitude machista de achar que eu não pesco nada do assunto). No entanto ele foi honesto comigo e explicou-me que podia, aos "bochechos" e o mais rapidamente possível, ir arrastando uma pasta de cada vez para fora do disco até ele parar de rodar (nos dias em que ele está bem disposto, claro). Aceitei, derrotada - quem é que depois de tal correria sai de uma loja a achar que conseguirá fazer esse teste de paciência?

Ao chegar a casa pensei comigo mesma que nesta situação, talvez o pudesse encarar como um recomeço. Mas tinha demasiadas coisas ali, especadas, que podiam ser salvas num espaço de trinta segundos de cada vez. E ao acalmar-me, pensei que se já estava perdido e já, tudo o que conseguisse remover era bónus.

E assim tem sido. Ainda tenho um longo caminho pela frente. De 12000 ficheiros já salvei 1507. É uma vitória e tanto. Já apaguei outros tantos desnecessários ou que já sabia que eram repetidos. Nunca me senti tão feliz por ter tudo em pastinhas pequenas e fáceis de arrastar. Abdiquei de músicas e de programas que há muito que não precisava. Se num dia e meio já consegui 5% então pode ser que até ao Verão tenha tudo de volta. E se for esperta, mais cedo ainda!

 

... Paciência de jerico...

 

 

Quê!?

Mas que raios? Uma pessoa afasta-se da atualidade da internet e isto acontece? Bloqueiam os sites para uma gaja ver uma série sem ter de estar a perder episódios? Really??? Choquei, tô rosa chiclete! Se querem fazer-me ver a Quinta ou a bosta de novelas portuguesas que temos, non, me obrigue!

 

... Eu, a ver séries na net? Jamais. Não, nem percebo dessas coisas, q'hórrore. Estou a zelas pelos meus interesses dos outros.

Enfim... Parece que vou informar-me sobre os horários da FOX e do AXN... Se eles tivessem um avô como o meu, que só usa a box o dia inteiro para ver o Discovery Channel, não faziam uma treta destas. Peasants. Vou afogar as mãgoas a ver o Senhor dos Anéis.

 

... NA FOX.

Lógicas da Batata #8 (mini)

Sim, porque isto estava a caminho do "Un petit a part", mas acho que aqui fica melhor.

Nunca tive uma encrenca com blogs. Aliás, os meus problemas mais antigos que "andar de cócoras" vieram do lado de fora da blogosfera, não de dentro. E para cúmulo, nem sou de me chatear com estas tretas. Mas foi preciso eu ter-me envolvido (por acidente... Sabia lá eu!) com parte da blogosfera que leva a vida em chatices e birras porque A ou B é igual ao C ou a mim (e que depois me mandam mensagens a dizer que eu é que ando a roubar conceitos de página, tags e etc, como se eu além de não ter mais nada que fazer, também não tivesse ideias próprias). Como diz a minha avó, Santa Barba dos Trovões!

Se não fosse pela parte de não me querer chatear, deixava ficar o meu cantinho assim. Mas acho que o meu maior problema não é alguém ter feito o favor de me "copiar e depois armar barulho em como eu é que copiei" (Cristo, não, nem me metam mais as palavras na boca porque na minha área de trabalho ilustrativo já me basta as pseudo-artistas stalkers a fazerem o mesmo, já passei a fase de me chatear com tal coisa há uns aninhos valentes). Estou unicamente irritada com o facto de ter conhecido esta faceta da blogosfera. Em tanto ano de blogger, nunca na minha vida pensei em assistir a uma coisa destas, quanto mais ser alvo indiretamente. É certo que muitas das bloggers que sigo já tinham mencionado isto e creio que muitas o consideram como "o lado obscuro da blogosfera"; mas juro solenemente que fui ingénua ao ponto de achar que não ia jamais cruzar-me com esse lado. Credo.

E espero muito sinceramente que seja a última vez. Como diz o nosso amigo Charlie Brown...

 

 

 

E depois dizem que é mau feitio

Chegam-se ao pé de mim com conversas tristes e depois de me fazerem a tampa saltar e de ouvirem o que não gostam, dizem que tenho mau feitio.

Duas vezes numa semana, gente. Duas. Vezes. Que me tentaram desmotivar a candidatar-me a Psicologia na faculdade. "Ah, Psicologia tem uma taxa de desemprego muito elevada, tenho amigas X que são psicólogas e não têm emprego","Ah, Psicologia tem uma média tão alta, candidata-te a algo mais baixo para teres a certeza que entras","Porque não te candidatas a algo mais produtivo?","Porque não te candidatas a mais opções!?".

 

As pessos que me dizem isto devem achar de que eu não pensei já no assunto ou que sou burra o suficiente para não estar atenta aos factos, creio. Assim sendo, a todas as antas quadrúpedes cujo objetivo de vida é desmotivar-me:

Deixem-me sossegada. Psicologia é o que eu quero conseguir fazer. Se não der não deu, tento para o ano ou para o próximo.  Não me vou candidatar a outra coisa qualquer se não me sinto bem nessas áreas. São as MINHAS opções de vida, SOU EU que as decido, são AS MINHAS metas. MINHAS. E quando eu algum dia mudar de ideias, se isso de facto acontecer, EU É QUE SEI PARA ONDE VOU.

Porra. Apetece-me berrar praticamente toda a secção caluniosa do dicionário.

Da tal reportagem sobre os blogues...

Não tenho muito a dizer sobre o assunto, dado que vi metade da entrevista e tal parte me deixou num pranto e num praguejar de palavrões no meio da cozinha, à hora de jantar. E nem sequer quis saber do resto que perdi.

Dei conta de alguns bloggers que até sigo e que se ganham algum dinheiro com o seu cantinho, são eles que o escrevem, que se esforçam e que mantêm um equilíbrio entre o pessoal e o rentável. Até aí tudo muito bem - e palmas com mais intensidade para quem vende o seu próprio produto no seu blog, que sempre faz o dobro do trabalho dos outros e nunca acaba por sair de dentro da redoma do tema pessoal que criou para o blog! Até eu já pensei várias vezes em vender aqui o meu peixe - já que muitas vezes falo daquilo que faço por estes lados.

Mas cá está. Quem fala sou eu. Não é uma equipa contratada por mim. Nem tenho dinheiro para mandar cantar um cego, como bem se costuma dizer; se o tivesse certamente que o investiria doutra forma no blog, não a contratar quem mo escreva. Quem melhor do que a minha própria pessoa para chegar aqui, abrir um novo post e desabafar com as palavras mais adequadas e certeiras acerca do meu dia-a-dia? Ninguém, pois claro. Naquela entrevista, não vi bloggers com grandes templates, fotos giríssimas de si próprias a mostrar um produto em específico ou textos bonitos. Vi uma equipa de empregados contratados por alguém que acabou por se tornar no próprio produto de um blog a quem eles mesmos pagam para ser desenvolvido. Não é de x ou y mostrados no cabeçalho, mas sim dos coitados que se esfolam para escrever algo minimamente próximo e preciso de quem no fim do dia, sem muito esforço ou cansaço, chega ali e assina o post. De esforço próprio, sentimento e carinho pelos seguidores, aquilo não tem absolutamente nada. Zero. Rien.

E se é para ser por essas condições, por muito que os dias de hoje estejam complicados e que toda a forma de arranjar algum dinheiro seja muito bem-vinda, prefiro fazê-lo a um ritmo muito mais lento e mesmo sem ganhar algum, receber carinho e amor misturado em palavras de pessoas que perdem o seu tempo para partilharem daquilo que o meu cantinho lhes têm a mostrar ou contar. Esforço-me, muitas vezes nem consigo ser tão assídua com gostaria - porque detrás do teclado a vida é complicada, como não gosto de esconder (o blog não se deveria tratar apenas do lado arco-íris da vida, digo eu) - mas cada palavra vinda da vossa parte compensa todo o trabalho.

Portanto no meio disto tudo, tenho a agradecer a todos os meus subscritores por tomarem sempre um pedaço do vosso tempo para me visitarem e me responderem. ♥

Boa tarde,

Daniela

Lógicas da Batata #7 - Oh Vodafone, andas a deixar-me mal!

É... É sempre o que eu digo. Uma pessoa pensa "porra, tenho de atualizar x rúbrica". Lembrei-me das lógicas da batata há umas semanas e tcha nan. Oh que lindo, algo para eu reclamar.

 

Ora bem minha gente, como já me fiz entender há uns posts atrás, o meu telemóvel ambiciava em um dia ver o oceano. E no dia em que esteve tão perto, o amor foi tão grande e profundo que o mar sentiu o mesmo... E quis unir o seu amor impossível ao jogar uma onda do Meco para cima de mim, fazer-me andar à reboleta e matar o meu telemóvel de desgosto, por ser um amor fatal. (Eu ainda não consegui esquecer a posição em que estava quando levei com a onda em cima... passemos à frente).

 

Telemóvel não é coisa que me aflija, mas levei cinco dias a achar falta dele. Apalpar os bolsos das calças e desatar aos berros em casa ou na rua a dizer que perdi o telemóvel, para depois me lembrei que não tenho nenhum, não foi giro (para mim, claro, houve quem se risse). É algo que me faz falta para estar em contacto com a família. Então a Dani lá suspira fundo, vai ao site da Vodafone e encomenda um telemóvel jeitoso - outra telha da mesma marca, modelo mais recente, mais barato - e fica à espera.

Hoje que foi o dia marcado, começou o desastre. Devia ter chegado entre as 9h e as 13h com pagamento por multibanco. Perto do meio-dia vejo um senhor deveras desnorteado à procura de alguém à espera de um telefone. Olhem se eu não tivesse aparecido à janela: o número de telemóvel estava errado, a morada estava incompleta e a factura vinha em nome de uma senhora da Vila do Conde. E o homem além de me culpar a MIM - sim, a MIM, tenho mesmo cara de quem trabalha na Vodafone e tratou da própria encomenda - pelo facto de os dados estarem errados (o que mais tarde o apoio ao Cliente confirmou que estavam correctos, mas tinham sido mal impressos). E a cara de pau ainda me diz que não tinha serviço Multibanco, estava fora de serviço há muito tempo. Que se quisesse o telemóvel teria de pagar em numerário ou então só no dia seguinte.

 

Resultado: a Dani vai a correr até ao multibanco mais próximo (e com azar porque ou não funcionavam ou alguém estava a confirmar 500 vezes o saldo da mesma conta) e volta a arfar, quase com o coração nas mãos. O Sr Doutor logístico lá me entrega o telemóvel e vai-se embora. Até aí pronto, maravilhoso. O verdadeiro problema surge durante uma chamada com uma amiga minha: o telemóvel faz-me uns ruídos horríveis a ponto de me magoar. E era com toda a gente a quem eu telefonasse. Já enervada, pedi à minha tia que fosse comigo à Vodafone aqui perto e o senhor até foi muito prestável: disse que tendo tão pouco tempo nas mãos de alguém, sendo um problema intermitente, trocava-se sem problema.

 

... Agora o novo telemóvel tem um mal também. Volta e meia trava, fica possesso e salta das definições gerais para as de data e hora constantemente. E pelo que vejo, não passa.

 

Decididamente, não me querem ver com um telemóvel...

Lógicas da Batata #6 - Alto e pára o baile!

Já cá faltavaaa..! Já cá faltava, haver algo que me fizesse a tampa saltar e perder-se-me a paciência!

 

Não tenho postado nada porque me tenho sentido cansada. Exausta até. Olhar para um computador lembra-me trabalho e então suspiro e procuro uma outra coisa para fazer (que ultimamente tem sido descobrir o que o meu gadget novinho faz). E se pudesse fazia o que tanto gosto de fazer, que é sair para onde me desse na veneta. Mas aqui onde moro não há grandes locais que me interessem, pelo menos nada que apele a 15 minutos de paz e sossego. Prosseguindo.

 

Estou cansada, FARTA de programação até dizer chega. Voltámos à estaca onde a matemática é senhora e rainha e eu mal a conheço senão os seus básicos, o que me demora nos exercícios que nos entregam. Isso acaba por me deixar frustrada até resolver a situação e pular como uma pulga porque fiz um programa para somar 1+1. Mas lá por isso não significa que me esteja a barimbar para aquilo, senão não estava ali. Sempre disse isto, desde o princípio: programação "não é a minha cena". Mas vou tentar.

 

Hoje, em dona aula de uma das milhentas e horrorosas linguagens de programação, professor manda instalar um programa, advertindo que aquilo já de si ia dar imensos problemas até estar concluído. 'Tá bem. Passou o ficheiro pelas mesas e mais tarde perguntou se todos o tinham. Apenas dois o receberam. Resmungou e prosseguiu com uma explicação de como se instalava aquilo às três pancadas, sem eu perceber um chavo. O ficheiro lá nos chegou às mãos e os problemas começaram. Quase todos tinham erros por resolver e para isso era necessária a internet, extremamente lenta. E eu vi os meus colegas preocupados em procurar a solução, mas estava de facto impossível, porque a Internet não conseguia fazer a transmissão. Por exemplo, para mim, apenas precisava de actualizar o computador, mas a Internet estava fraca demais.

 

Entre as nossas várias tentativas falhadas começaram as bocas. "Vocês são técnicos informáticos, têm de saber resolver o problema sozinhos!!! Cruzar braços não dá!!! Esperar que o professor passe o ficheiro também não!!! Ou acham que o patrão vos vai fazer as coisas por vocês!?". Não, não vai, mas primeiro ponto: somos programadores, não técnicos (mas nem quis ir por aí, porque tanto o técnico como o programador partilham conhecimentos). Segundo ponto, estávamos a tentar. Que culpa era a nossa se os nossos recursos de trabalho eram escassos!? Obviamente que não estamos à espera que o patrão nos dê o trabalho já feito, mas martelar sem martelo e pregos é difícil. "Se fosse um jogo qualquer ou algo do vosso interesse já estava feito!!! Nem que falhasse cinquenta vezes, vocês já o tinham instalado".

Uma m*rda. Aquela mania de nos julgar a todos pelo geral deixa-me doida. Não dá, não dá! Mesmo assim continuei a tentar e lá consegui instalar aquilo por obra de um cabo de rede ali sozinho e abandonado que me prestou uma conexão melhor. Até que veio a pergunta do costume. "Mas vocês estão aqui porquê? Epá se é pelo subsídio, saiam! Programação é para quem quer e gosta, para quem tem amor por esta camisola! Se estão aqui só porque sim então não vale a pena!".

 

Voltemos aos factos: recebemos só o passe e temos direito a ir comer lá (não recebemos subsídio de alimentação porque existe refeitório no centro). Ficou por aí. E sim, quem gosta daquilo tem mais facilidade. Então e quem está ali a tentar!? Então e quem está ali porque prefere experimentar algo novo ao invés de ficar em casa sem lutar pela própria vida!? É o que eu estou a fazer! Se não der programação, talvez tente pastelaria ou outra coisa qualquer. Mas porra, estou a tentar! E não sou a única nessa posição. E dizem-nos uma coisa destas!? Estão à espera que nos tornemos fanáticos da programação, que estejamos desejosos e apaixonados por aquilo? Opá não me moam.

 

E foi graças a esta rica aula que me voltei a sentir inútil e com dúvidas sobre qual é a minha verdadeira vocação. Mais uma aula para me fazer sentir horrível por não me ter esforçado mais no secundário e poder estar agora na faculdade. É o resultado daquilo que se diz sem pensar, ao qual não pude responder.

Mas ainda não desisti.

 

 

Lógicas da Batata #5 - Crazy!

Não sei se por ventura de outros posts mais antigos vos tenha dado a conhecer a minha faceta anti-médicos. Não tenho nada contra o meu médico, aliás, gosto muito da forma como ele me trata. Apenas não sou pessoa que ande constantemente enfiada lá no consultório por tudo o que me possa acontecer. No entanto isso é genético, cá em casa ninguém aprecia médicos dessa forma.

 

Porém, na minha última consulta (mês passado) tive de dizer ao meu médico que de facto, não conseguia dormir como deve ser. Que tenho andado stressada, com imensas pontadas cardíacas - mais do que é suposto - e a ter imensos pesadelos durante a noite (o meu maior problema). O homem perguntou-me se andava a fazer a minha medicação habitual de Valdispert e eu respondi que não, porque não me faziam efeito nenhum. Na verdade nunca ultrapassei as dosagens que ele me recomendava e se essas nada me faziam, deixei de os tomar, não havendo necessidade de me encher de ansiolíticos sem efeito. Eis que o meu médico me passa algo diferente e diz que "embora sejam para outros efeitos, a dosagem mínima ajuda com problemas de privação de sono."

 

Okey. Mme. Dani chega a casa e tal, acha estranho e vai pesquisar sobre o medicamento na internet. Descubro que a medicação que o desgraçado me passou é para o controlo de bipolaridade e epilepsia se for tomado em doses muito maiores. Ora, a minha era a mínima, nem me senti ofendida. Não seria a primeira vez que ele recomendava um medicamento estranho para outros fins; já tinha receitado um para a minha tia para a ajudar a avivar a memória e o seu propósito principal era controlar sintomas de "demência". Memória fraca faz parte desses sintomas mas a mulher não é demente. Certo. Nem eu sou bipolar.

 

Hoje vou por fim, levantar a medicação e por curiosidade, perguntei à farmacêutica para que servia o medicamento em especial. Pois.

A senhora olha para mim, ciente de que era para mim, e muda de cores e gagueja.

 

"S-sabe... Aconselho-a a não ler a bula. É p-provável que vá ler as indicações e... B-bem... Sabe, tem vários propósitos, a senhora ainda leva a mal e depois não o toma. C-com uma dosagem tão pequena, deve ser só um... Um auxiliar de ansiolítico! Isso! Quer dizer, n-não sei..."

 

Ri-me. A meu ver a mulher pensou que eu era doida varrida e que se me dissesse alguma coisa, iam voar cadeiras.

 

"... Que o medicamento serve para o tratamento de bipolaridade já eu sei, minha senhora. Só queria saber as restantes indicações. Que me servirá apenas de ansiolítico sei eu." ... E pronto, ela respirou fundo, acenou com a cabeça, sorriu e pagou a conta. Como quem pensasse, "ah, não vou levar com uma cadeira na tromba!".

 

Obrigada por me achar com cara de maluca!

 

 

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