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Violet Clouds

Um soluço de fé.

Há coisas na vida que acontecem por um motivo. E hoje foi um dia estranho.

 

Os exames... Foram de meio-termo. Quatro provas hoje, cinco na segunda-feira. Exames de coisas que nem falámos. Por muito que tentasse estudar no pouco tempo que me deram, consegui uma vitória de 85% na prova de hardware (e penso que um resultado valente na de teoria da programação). Com C# ainda não sei de nada... E Cobol, aquele dinossáurio, foi um desastre. Não demos nada senão pouca teoria e não praticámos grande coisa. E eu sabia que falhar um dos exames iria prejudar-me imenso, visto que o curso só é finalizado se tivermos no mínimo 10 valores. Menos 1 milésima é inaceitável.

Ou seja, o meu objectivo era obter no mínimo 50% a todos.

 

Cheguei ao cúmulo de bloquear e não conseguir pensar na resolução de mais nada e nem ter a capacidade de ouvir o professor a dar-nos a resposta. A única coisa que fiz foi baixar o rosto, atirar as coisas para dentro da mala e correr dali para fora. Perder estes últimos onze meses da minha vida é uma ideia demasiado desesperante para mim, ainda que saiba que não é o fim do mundo. Solucei, chorei, queria fugir. Até que houve alguém que viu e me parou no meio do caminho para me agarrar.

Não conhecia aquela pessoa. Tinha-o visto duas, três vezes por ali recentemente, mas nem me disse nada. Apenas me agarrou com toda a força num abraço, para que eu correspondesse e gritasse. Depois perguntou-me porque estava a chorar: expliquei, entre soluços, e apenas me disse que vai correr tudo bem. Que viu que precisava de um abraço. De motivação. Que sabe que nunca ninguém lhe faria aquilo a ele, como ele me fez a mim.

 

Chorei o resto do caminho até aos comboios, até me acalmar. Lembrei-me daquele gesto. De um abraço necessário e dado de boa vontade. Tinha-me esquecido de que também era assim... E senti falta de mim mesma. Foi um gesto atribuído no sítio certo, na hora certa, porque sim. Sem motivos nem segundas intenções. Apenas porque queria ajudar, o melhor que podia.

 

Obrigada. Mostraste-me quem sou, debaixo das várias camadas de desilusões que fui acumulando com os anos. Quebraste o muro que me impedia de me expressar. Disseste-me, com um abraço espontâneo, que ainda há esperança no mundo.

 

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