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Violet Clouds

Un petit a part #21

Estes primeiros dias soalheiros de 2014 têm sido especiais. Gosto de sair de casa e por uma vez em tantos meses não ver tudo nublado ou chuvoso, fico chateada por não antecipar a noite fria que haverá de cair e ter de aguentar o frio até casa, só porque quis aproveitar a tarde de Sol sem aqueles casacos todos.

 

Por uma vez em todo o curso, quis acompanhar as minhas colegas até ao exterior das oficinas, local muito frequentado pelos fumadores e grupos não informáticos - porque por qualquer motivo os aspirantes a informáticos ganham tendência a isolar-se como ratos dentro do edfício. Fui com elas às 17h e aproveitei o Sol, acolhedor e charmoso, assim como uma conversa muito engraçada. Trocámos de professor e no intervalo seguinte, fiz o mesmo. Calhou em cima do período do pôr-do-Sol. Foi então que me quis distanciar da conversa ao olhar de soslaio para o horizonte e aperceber-me que dali tinha vista para a serra da Arrábida.

 

E que vista. O Sol, a esconder-se cada vez mais rápido, pintava os céus daquele magenta guloso e reconfortante até se desfazer em púrpuras e tingir a restante maioria do futuro azul estrelado, sem nuvens. À medida que descia, sobressaía a silhueta da serra de forma intensa, destacando cada árvore e escarpa, cada criatura que passava a voar. Foi o suficiente para ignorar as outras pessoas e fechar os olhos só para sentir a brisa pelo rosto. Rever-me no ponto mais alto da serra, sentada numa rocha a ver o pôr-do-Sol e com os pés descalços na terra. Eis que me sinto impotente... Já não reconhecia aquela sensação que me era tão natural e tão desejada, a de me escapar do mundo e de me perder nos vislumbres da Natureza. Senti que não merecia aquela dádiva, algo que nos é tão natural, aquilo não era para mim. Não devia sentir-me bem.

 

Então percebi que o problema não era esse: o problema não era "não merecer", era apenas o facto de estar tão afastada do mundo ao ar livre há tanto tempo. Talvez por me ter esquecido de que na adolescência, compreendia aquele calor e aquela brisa como pai e mãe. E daí, esquecer-me foi óptimo. Assim aconteceu como se tivesse sido a primeira vez a sentir-me viva.

 

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