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Violet Clouds

Coração oco.

Já escrevi um testamento e já o apaguei, porque não passou de um vómito de palavras enraivecidas. Agora estou oca por dentro.

Restam só dores de cabeça desnecessárias e fúteis, porque nada disto é produtivo. Resta só a dúvida dos meus valores e a certeza de que me estou a tornar muito amarga. E resta o facto de que o meu espírito natalício morreu, ou está num coma muito profundo.

A única coisa boa acerca disso é que eu até gosto de sabores amargos.

Vamos falar sobre o Artigo 13

E não estou aqui por causa do Youtube. Este post reflete mesmo qualquer criador e influencer digital, pelo que merece toda a sua atenção, portanto vamos lá abordar diretamente o elefante cor-de-rosa que está no meio da sala.

Irrita-me profusamente que só agora é que está a surgir uma preocupação megalomática em relação ao artigo 13. Este problema não surgiu agora. Já foi mencionado anteriormente este ano, entre Junho e Julho e foi aprovado em Setembro. Mas só agora, quase a pôr os pés em Dezembro, é que se fala nisto. E porque é que me irrito?

Enquanto os pequenos procuraram petições e ajuda antes do artigo ser aprovado, o assunto foi abordado como um "conto de fadas". "Isso não vai acontecer, era um assassinato à cultura e até à economia europeia", "Estás a brincar comigo, fazem eventos como o Websummit e querem acabar com a base da Internet atual? És tola". Etc, etc. Folks, também diziam que o Trump nunca seria eleito e que o Reino Unido nunca aprovaria o Brexit and look what happened. Ou seja, quando o problema foi antevisto por gente de influência menor (falemos português) como bloggers menos conhecidos e criadores de conteúdo em ascensão, todo o tópico foi substimado até à raíz. E agora que o próprio Youtube comunica com os seus membros mais influentes para passarem a mensagem, praticamente em cima do fecho do ano e da consequente aplicação do artigo, querem milagres. Atenção que isto é algo numa escala europeia e não apenas portuguesa.

Amigos, eu sei que é Natal mas um milagre desse tamanho tinha de ser pedido e rogado na altura do verão. E não sou contra o conceito detrás do Artigo 13, mas pode ser revisto e melhorado de maneira a não assassinar por completo todo o empreendorismo digital que tem surgido na última época e que moldou uma geração de pessoas enorme. Estamos a falar de consequências alargadas ao Instagram, Snapchat, Facebook, Youtube, o Google na sua íntegra e, consequentemente, a todos os que dependem destas ferramentas para criarem o seu percurso profissional.

Portanto posto isto, parece que a reforma que tinha prevista para o blog vai ter de ser reiniciada. Pensem um pouco no assunto e preparem-se, porque isto não vai ser engraçado quando embater nos nossos ecrãs. Particularmente para Portugal, temos talento aos baldes e cultura a transbordar pelos posts de muitos bloggers e é triste ver todas estas pessoas perderem todo um trabalho de anos.

 

Pontos de vista

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(Fonte: aqui)

Já não aguentava estar muito tempo longe e depois de muita análise, adicionei só algumas coisinhas. Gosto do blog assim. Quanto ao conteúdo, vou fazendo uma limpeza de outono aos bochechos.

Mas em respeito de filtrar conteúdo, não deverá ser necessário uma contenção ou censura.

O blog sempre representou muito aquilo que sinto e que penso. Daí querer excluír posts forçados, é porque não fazem aqui nada. O facto de me sentir novamente um alien não passa de algo que não me devia ter esquecido por estar a viver fora da vista da sociedade tanto tempo. Não me devia ter surpreendido quando saí da casca. O mundo é uma bosta. Não é inteiramente assombrado de futilidades, senão nem a blogosfera seria um bom porto de abrigo como tem sido todos estes anos e de onde tenho interagido com os melhores. But I should've known better, que nunca iria ter uma turma como tive no final do secundário.

Já devia ter noção que a sorte não se repete nas mesmas formas.

Já deveria saber que as amizades não são eternas.

E se eu queria mesmo manter tudo o que é tóxico fora da minha vida, deveria ter-me relembrado que a primeira fase desse processo ia-me deixar plantada sozinha no mundo. Mas são tudo pontos de vista.

Do lado de lá, sou uma besta para quem me conheceu há algumas semanas e uma leiga velha e fora de estilo. Para os que conviviam comigo, tornei-me anti-social e até me sinto satisfeita de ter a noção de que não quiseram pensar sequer no assunto, tal não era a importância que me davam.

E do lado de cá, depois de muito silêncio e orelhas abertas, não dou abébias a ninguém. Às vezes esqueço-me disso e passo por otária durante alguns minutos, por vezes deixo de sentir a cara de tão vermelha e fora do sério que fico. Às vezes penso que o mundo não está assim tão mau e ajo naturalmente. O que me levou mais depressa a mostrar os dentes de forma não tão amigável foi a precisão afinadíssima de tanta gente que se apercebeu desses lapsos e os aproveitou a todos. Aliás, pode-se dizer que houve uma tentativa de inferiorização em contexto de aula que me deixou francamente surpresa e chocada. Tanta coisa, em tão poucos meses.

Agora?

Estou sozinha mas espero preencher esse vazio. Mais vale assim que mal acompanhada. E é certo que alguns fatores sociais me passam a fazer alguma repulsa (não imaginam o trigger que me dá ver produtos da Mr. Wonderful e computadores da Apple...). Mas acredito que seja tudo uma questão de equilíbrio e que, se não perder o foco, brevemente estarei nos meus eixos.

O primeiro a ter de agir para mudar alguma coisa é quem quer que algo mude, certo?

The end, por agora

 Eu tenho motivos para ficar aqui. Vários até.

Por uma vez tenho posts para falar até aos cotovelos e vontade de escrever. Mas dentro desse saco de rascunhos e posts, há coisas que não devem vir tanta vez cá para fora. Há certos temas que por muito que eu queira desabafar e partilhar a minha experiência com outros que sofram do mesmo, acabo por me expôr em demasia.

Há certos temas que já não condizem comigo e que não precisam de estar aqui. Uns deles foram um esforço demasiado grande para tentar cá ficar.

E eu quero que o Violet Clouds seja não só o meu espaço, como o vosso. E que seja um ponto que marca o meu percurso, o meu caminho, o meu progresso. Quem diz o Violet Clouds, diz as contas de instagram, tumblr e facebook. Aquelas que uso e que aqui estão para vosso dispôr.

Por agora só me resta o blog. Que precisa de uma reviravolta.

E por isso mesmo, assim como pelos vários testes que vou ter aí à porta, anuncio um breve "até já" e espero retomar com o blog de cara lavada e de alma mais leve ainda antes de Dezembro. Se 2018 foi o ano de mudanças, 2019 será o ano da liberdade.

E eu quero estar pronta para ser livre.

 

Beijinhos ♥

Rasto.

Sou estudante numa licenciatura de terapia da fala.

Estou inserida num ambiente clínico, muito mais prático e versátil. Apaixono-me pelas aulas de Anatomia e depois fico frustrada com a quantidade de matéria que a mulher dá num único dia. Carrego testes fonéticos e fonológicos, aprendo transcrição fonética. Tudo isto se vê quando pego em trinta livros da área, quando tenho luvas e desinfetante ainda nos bolsos, quando saio da sala com a cara pintada com pintas e riscos.

Mas não é isso que se vê apenas.

Sou futura terapeuta da fala que carrega, entre as folhas de motricidade orofacial e aquisição e desenvolvimento da linguagem, folhas lisas com ilustrações por entregar. Sou a que tem um estojo para terapia e outro para ilustração.

Sou a eterna croma de Humanidades que, apesar do massacre de anos com os exames de português, tem um carinho especial por poesia de Fernando Pessoa e Antero de Quental. Nos intervalos, sou aquela que ainda dá umas dicas de Java e C# e que se arrepia pela espinha fora quando vê um diagrama de base de dados e que ainda traz num dos bolsos uma pen USB pronta com todo o material necessário para uma formatação ou limpeza rápida.

Ainda sou aquela que troca mensagens com os antigos alunos a perguntar se está tudo bem e que se preocupa nas sombras com o bem estar deles. E como que conjugado com o presente, sou a T.A.T que carregava os doentes de fones nas orelhas, que desenhava no cais durante as horas paradas e ainda tinha a lata de viajar com os joelhos cruzados na parte da frente da ambulância.

E daí veio o vício de passar por todos os pontos de desinfetante hospitalar.

Coisa que faço outra vez sempre que entro na clínica, por vício. O que me fez pensar em porque raio não tinha abandonado o hábito.

Sou feita de tudo aquilo que tentei e que construí. E eu sei que para muitos é confuso, mas para mim foi uma identidade que nasceu. Tentei tudo e aprendi alguma coisa e quero continuar assim. Sempre a procurar e a aprender coisas novas.

Quero que o meu rasto continue a ser diverso e que me marque para toda uma vida - seja qual for o percurso que escolha.

Hey, November

 Please be kind to me.

Já não fazia destas há algum tempo. Associei este tipo de posts a um jinx e deixei de o fazer a fim de que todo o agoiro se fosse. Mas a verdade é que foi apenas uma coincidência e que não é um desejo inicial que me vai estragar o mês; sem o fazer, já estava o ano todo estragado. Portanto 'bora lá virar tudo ao contrário e enfrentar as contradições.

Novembro é um mês especial para mim. Ganhou alguns pontos positivos ao longo da minha vida, mas sempre teve ali aquele balanço entre a chegada do Outono e a contagem decrescente para o Natal. Coloco sempre o S. Martinho de parte porque as castanhas e as batatas doces não me assistem, mas tenho sempre boas memórias da minha vizinha a sorrir no quintal, satisfeita pelo sol do verão de S. Martinho a abençoar sempre no seu aniversário, à espera de me dar castanhas e romãs.

Saíam os primeiros testes durante este mês e ainda recordávamos a noite das Bruxas - com o que agora chamam de arraial, corriam sempre murmurinhos sobre quem faltava às aulas para ir ver o desfile de Halloween. Troca-se a roupa de verão pela de inverno e começa-se a procurar algumas prendas de Natal para poupar dinheiro e ainda apanhar algum stock.

Celebro o meu aniversário de namoro na segunda semana e o aniversário da minha madrinha no fim do mês. Destaco estas datas por serem importantes, mas também porque é super difícil achar prendas para estas duas pessoas quando o mercado já só tem produtos alusivos à época natalícia. Lembro-me que corri 4km uma vez só para encontrar uma caneca que não tivesse um Pai Natal ou um boneco de neve para rechear de chocolates. Uff!

Agora, espero por tudo isso e mantenho o foco.

Preciso de me concentrar mais no meu trabalho e nos meus estudos, particularmente porque sinto que estou a remar contra a maré. Não posso deixar que estes dissabores me tirem o vislumbre inicial daquilo que pode e muito bem ser o meu futuro profissional. Portanto, quem tiver dicas de como orientar o estudo quando o tempo é escasso, por favor lembrem-se de mim. E preciso muito de me reorganizar: há muita coisa para limpar, doar, reutilizar e arrumar.

Vai ser um mês ocupado, Novembro, mas não me deixes vacilar.

A autora

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