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Violet Clouds

A caloirinha conta #3 - Praxes

Sendo este um tema controverso, alguns disclaimers:

- Não sou contra a praxe.

- Entrei e saí de livre e espontânea vontade

- Recusei-me e TODOS têm o direito de se recusar a dada prática da praxe.

 

Pronto.

Minha gente, eu não sou contra a praxe, se ela for bem organizada e respeitar os valores humanos. E quando fui para o IPS a mensagem que se ouvia era "é giro, são brincadeiras, não são abusivos".

E de modo geral não são! Eu incentivei o meu namorado a ir (está a fazer uma praxe fantástica, pelo menos ele anda todo contente), outros cursos dizem ser giro, outros queixam-se como eu.

Mas eu entrei para a praxe da Escola Superior de Saúde e saí no fim do dia. Fiquei lá o dia todo. Fiquei entravancada de fazer maioria das coisas porque não tenho muita resistência. A comissão de praxes foi excelente comigo.

Mas os que praxavam não foram.

Desrespeitam o próprio traje, desrespeitam as horas de pausa e até alguns se queixaram que quebraram alguns padrões sanitários no dia em que quis faltar. Acho que para os veteranos se queixarem de algo assim, a coisa tinha que ser preta. Volto a repetir, vai quem quer. Mas se num dia estão lá 70 pessoas e noutro cerca de 25, não me venham dizer que está tudo bem.

Eu saí porque não me sentia capaz. Fiquei com o corpo muito dorido (um pontapé acidental nos rins) e não vi companheirismo, respeito e união. Vi hierarquização imposta, submissão desnecessária.

Eu sou uma tipa de mente aberta e não achei aquilo ético. Outras escolas faziam brincadeiras com doces e tintas, ovos e farinha. A nossa recorreu a comida de cão, tripas de peixe numa piscina e descoordenação dos caloiros. Entre outros.

A resposta foi que a maioria se estava a vingar da comissão anterior.

E é isso que querem perpetuar? Os mais novos pagam pelos que erraram?

E quando dizem que isto é uma preparação para a vida real.

Meus amigos, comam onde as galinhas comem.

A praxe é uma tradição de acolhimento académica que deve ser levada a cabo com respeito e sentido de união. São brincadeiras e devem passar-se valores éticos e académicos apropriados. Dizem que é para respeitar o traje, mas muito sinceramente, que respeito vou eu ter a um traje sabendo que sempre que olhar para ele, vou relembrar os berros exagerados e os insultos abafados pelos que vigiavam a boa conduta da prática?

Eu ouvi-vos. E ouvi aqueles que de facto respeitam os outros repreender-vos.

A vida real de facto é uma merda, mas vocês só estão a perpetuar a desigualdade e a arrogância, não só entre estatutos, mas também entre cursos.

 

Faltei ao desfile e ao batismo, porque não aguento as dores. A quem me convenceu de que este sim era um bom dia, eu sei e acredito, ajudei os meus colegas, mas não pude comparecer. Tenho orgulho do meu namorado, quem incentivei a ir e soube contribuir para a praxe correta, dentro dos parâmetros do que é uma praxe aceitável.

Não devo tentar fazê-lo para o ano.

É possível ter amigos fora da praxe, já os fiz. É possível sair sem ser às quintas-feiras negras, já há jantares de curso combinados. É possível estudar e divertir-se sem ir a praxes como esta, da qual ninguém esperava, porque não faz sentido.

Quando forem enfermeiros e fisioterapeutas, tentem então aplicar essa mesma prática. Vão ver que só vos valeu de um traje manchado de infantilidades e vergonha.

Eu vou usar o meu quando for a hora. Vou queimar as fitas com ele vestido. E vou olhar para o meu traje e saber que experimentei a praxe, mas que não concordei com ela e saí.

A vós que me ajudaram, obrigada. A vós que não têm noção do que fazem, tenho pena só.

Aos meus colegas de Terapia da Fala (novos e mais velhos), obrigada, mas não consegui. E somos poucos mas somos muito melhores do que isto.

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