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Violet Clouds

Ai o dentista, o dentista...

Portanto, depois de uma maré de azar jeitosa, consegui pôr algumas coisas em dia.

Voltei às leituras obrigatórias, que o tempo já se torna escasso e só para ver se não falho, fotografei todas as páginas do livro para as poder consultar no telemóvel. Viva as engenhocas do séc. XXI!

Mas tinha e tenho outras tantas coisas para tratar - análises sanguíneas, medicação para deixar de tomar ou continuar, documentos por tratar... Eu nunca pensei que com esta idade ainda fosse sofrer de "dores de crescimento", quanto muito que isso em conjunto com uma lesão dos músculos peitorais me fosse dar tanto pano para mangas. E depois só porque caso alguém achasse que isto fosse pouco, um dos meus dentes achou piada em inflamar que nem um desgraçado.

Estava a ver que não ia ter grande sorte em tratá-lo. Sou imune à maioria da medicação para dores de dentes e só me consigo governar com ibuprofeno 400g (nem mais nem menos - vai que o corpo é esquisito!). E tenho sempre a excelente sorte de a medicação não ter efeito quando chego à cadeira do dentista, o que implica adiar o tratamento. A juntar a isso um medo do dentista desgraçado que ganhei da última vez que tratei dum dente, estão a imaginar a pilha certo? O cúmulo disto é o dentista ser teimoso como tudo e nunca querer fazer o que eu peço. Desta vez ia determinada em pedir uma extração, não só porque não vejo grande eficácia de desvitalizações anteriores, mas porque é um dente mais escondido e a última coisa que preciso neste momento é levar três semanas de agonia, quando posso tratar de tudo numa só semana.

 

Vai que o dentista desta vez foi a meu favor sem eu dizer nada? Ao menos isso, graças a Deus.

E também me fez o favor de me ajudar a acalmar pelo processo todo. Afinal de contas era o primeiro dente que ia tirar na minha vida. E um dos grandes, primo do siso. Pensava que ia ver brocas e máquinas horrorosas, que ia guinchar com dores, mas nem doeu. O máximo que custou foi a anestesia e ter de esticar demasiado a boca.

Mas pronto. Continuei a não querer ficar com o dente para recordação. Agora há que gramar com papas e papinhas e batidos mais uns dias... Até a feijoada à transmontana me parece um belo prato agora!

 

Boa tarde,

Daniela

A autora

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