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Violet Clouds

Blogmas #6 - Um dia sonhei com...

... a noite de Natal.

Eu vivo o Natal. E não são pelas prendas apenas ou pelos jantares de Natal ou por todos aqueles elementos que compõem o consumismo e a hipocrisia natalícia. Eu gosto mesmo do Natal. Sempre foi a minha altura favorita do ano.

Era no Natal que viajava para visitar a minha mãe. Deixava para trás todo o contexto escolar, contava os dias no calendário para estar com ela outra vez. E o que me marcou mais, nas primeiras viagens, foram as pessoas que conheci. Já falei n vezes deles aqui, das trapalhices, das brincadeiras. Mas nunca irei ignorar que era num espaço de duas semanas que, além de estar junta com a minha mãe, o meu padrasto e a minha tia, eu celebrava o Natal com uma mesa compridíssima, cheia de gente. Gente que estava tão ansiosa pela meia-noite quanto eu, porque iam receber a família no dia a seguir, quem já não viam há meses. Estávamos juntos, embora sozinhos ou separados dos seios familiares, e isso criou um vínculo muito profundo.

Marcou-me.

O cuidado para planear surpresas, as histórias da terra de cada um. Quando uma criança nova chegava, não era preciso combinar para a acolher: fazíamo-lo logo, esticávamos a mão, perguntávamos o nome e convidávamos a entrar. Era tão simples assim.

A noite de Natal era fria, mas feliz. Era longe de casa, mas o nosso conjunto criava um novo lar. Há dez anos que não sei o que é isso.

Muitos de nós, crianças, éramos levados ao cinema para ver o filme de Natal da altura (oh, lembro-me tanto de quando saiu as Crónicas de Nárnia, e a Mulan!), e era tradição comer o Happy Meal logo a seguir. Ainda sou da geração que fazia fitas e filmes e dramas por um Happy Meal por causa do prémio (já não vejo nada disso hoje em dia, mas os presentes eram muito melhores na altura). E quando calhava irmos ao McDonalds dos Aliados, que ainda tinha todo o seu interior em dourado e com todas as coleções de brinquedos expostos na parede? Que loucura.

Choro de pensar nisso, a dor da saudade é enorme.

Hoje em dia sonho em voltar a ter um Natal assim outra vez. Com todos juntos a uma mesa gigantesca, não porque seja tradição familiar obrigatória, mas porque queremos estar todos juntos, porque queremos celebrar a consoada e conversar pela noite fora, porque queremos estar na companhia dos entes queridos e mesmo ver a cara deles quando oferecemos algo que os faça feliz.

Sonhei que iria decorar a casa toda (quanto baste, atenção, não quero nada de excessos) de cima abaixo com motivos natalícios e toda uma panóplia de doces por escolher e comer, a árvore recheada de prendas e um grupo de miúdos a morderem as mangas atrás do sofá para tentarem descobrir as coisas antes de tempo. E que noutro plano, haveriam conversas. Não de problemas e de coisas tristes ou cusquices, mas perguntar sobre uns e outros, contar histórias do dia-a-dia, contar anedotas (mas ainda ninguém percebeu porque é que o "Levanta-te e Ri!" voltou? Era tão fixe contar anedotas até às cinco da manhã enquanto se jogava à bisca...). Talvez, sem ninguém saber, alguém trocar de olhares debaixo do azevinho e trocar uma prenda de Natal à última da hora, longe da vista e do mundo.

Bolas, eu até arrisco que daria tudo para voltar atrás no tempo e viver tudo outra vez! E ter toda essa gente lá, no mesmo sítio. Mas não dá para contornar as leis da vida e quando se é sozinho, não se pode obrigar ninguém a vir.

Talvez um dia, o Natal volte a ser o mesmo. Talvez eu volte a fugir do jantar da véspera de Natal, ainda que só por uns instantes, para vir sorrir às estrelas e agradecer por ser feliz.

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