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Violet Clouds

É assim tão estranho?

 Ainda na onda das mudanças em casa, que já se fizeram notar, embora que mínimas, dou comigo muitas vezes a olhar para o vazio. Vazio esse que me conforta. Vejo que ainda há coisas para organizar e outras para reciclar. Imaginem bem a minha alegria de ter separado e organizado um saco enorme de papéis soltos. Já ali estava há algum tempo a remoer-me a consciência para que eu o limpasse.

Entretanto, continuo a olhar para o nada.

Quero muito que chegue a época natalícia e parece que muitos anos depois é que a minha consciência desceu à terra.

A verdade é que o Natal não vai voltar a ser como antes. Não vou voltar a contar os dias para saber quando vou apanhar o comboio, e por consequência, não vou sonhar acordada a olhar pela janela. Não vou voltar a contar quanto tempo falta para ver a minha mãe, a minha tia ou a minha irmã. Já não há essa coisa de fazer as malas e sair para fora desta caixa de solidão, em que se fala do vulgar e do desnecessário e se sufoca o espírito natalício de união e companheirismo.

Acabaram-se os reencontros com os amigos do norte. E com isso acabaram-se as conversas, as diferenças e a família que construí. Também houve um fim à sagrada véspera de Natal, onde estamos com quem nos faz bem e tanto amamos. A mesa cheia da família que o coração escolhe. O planejar das traquinices de Natal. As crianças a sorrir e à espera da grande meia-noite, mesmo com os olhos pesados de sono.

O Natal não vai voltar a ter sabor a risadas.

E depois continuo com este pensamento e apercebo-me que nem tão cedo vou poder sequer reconstruir algo parecido ou melhor. Porque não se tem vontade de celebrar quem está vivo, de acolher quem está sozinho, de relembrar até todos estes bons momentos que me encheram o coração e a infância. E até me conformo bem com isso - são memórias e provas de que um dia fui feliz em Dezembro. Mas é igualmente frustrante ver o espórito natalício morrer nas minhas mãos.

Foi daí que quis ser eu a planear o Natal.

Quero ser eu a montar as decorações, tal como o ano passado. E planear os doces. Quero ser eu a preparar as prendas, depois de muitos anos a experimentá-lo sozinha e a escolher o que faz alguém sorrir (sabes, pelos olhos, pela alma). Quero contar pelo calendário do Advento e recordar todas essas coisas boas, e partilhá-las com quem comigo está. Com quem comigo quer ser feliz. Quero um dia voltar a juntar uma mesa assim, com todos os que me fazem bem e que me querem dar as mãos para manter essa noite viva e quente, cheia de sonhos e luz.

Foi daí que quis partir as correntes que me prendem com força e quis mudar o desfecho do Natal.

Porque acredito nele e acredito que ele pode voltar a brilhar nos nossos corações.

A autora

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