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Violet Clouds

São suspiros, senhor.

Os dias que sucedem ao falecimento da Speedy e ao final do primeiro semestre têm sido um pouco desanimadores.

Não posso dizer que chorei baba e ranho, muito pelo contrário. Estava difícil de deixar as lágrimas saírem. Doía mais conter o sentimento do que outra coisa qualquer. Perdi mesmo uma companheira de viagem que me ouviu falar muita vez com ela entre quatro paredes sobre todo o tipo de suspiros: medos de criança, dramas de adolescente, lágrimas de adulta. A casa está ainda mais vazia agora. Ganhei algum receio de lá estar outra vez, mas é algo que se vai combatendo. Já o semestre, tem sido outra história.

Foi, sem sombra de dúvida, uma época complicada. Levei alguns meses paralizada, apática. Voltaram a surgir os meus problemas de secundário: assim que pego num livro, oiço o meu nome. É sempre preciso alguma coisa, tudo é mais importante que o estudo, porque "sou capaz de qualquer maneira". Poucos sabem que isso não é bem assim e tenho sentido uma desilusão gradual, particularmente com os meus avós. Eu sei que precisam de mim, mas todo o esforço de um semestre foi rapidamente abaixo em três, quatro dias por não ter, de todo, 5 segundos de pausa para pensar. Sequer. Sem exagero.

Tenho-me enegrecido, e sei bem disso, com as atitudes das pessoas à minha volta. São mesmo muito poucos os que compreendem a ginástica que faço e me tentam ajudar, ou me pedem perdão por não conseguir fazer melhor. Custa-me que ninguém nesta sociedade saiba calçar os sapatos do outro antes de julgar e que rapidamente se discartem de dar uma mão, nem que seja de apoio moral. Já tinha perdido a esperança nas pessoas o ano passado, infelizmente continua assim. Sei que há uma parte de mim, a que todos devemos manter intacta, que está a morrer. Se não terá morrido, já. Oiço-me frequentemente sem paciência e a dizer asneiradas que nunca diria de cabeça decente. Na faculdade, fala-se que tenho de ter tempo para mim.

Como?

Que pecado é esse, de nos alimentarem esperanças e sonhos, nos inspirarem, para depois me relembrarem de que eu, em particular, estou de mãos atadas? É caso de dizer que Deus dá nozes a quem não tem dentes. Isso não se faz. Dou comigo a chorar por algo que nem há cinco minutos tinha pensado no assunto: num sonho.

Que sonho? Não são sonhos, são suspiros, de quem está quase a fechar os olhos à esperança de mãos atadas. "O responsável pela nossa felicidade somos nós próprios", dizem. Não lhes tiro a razão. Mas de mãos atadas atrás das costas, não há nada que possa fazer por ela, por essa felicidade, que não custe um preço demasiado elevado. Ou que a princípio pareça barato, mas tarde ou nunca são coletados os juros, que deixam essa expetativa no ar.

Se calhar estou apenas exausta. Gostava que fosse esse o caso. Se calhar as lágrimas secaram. Talvez não saiba mais o que diga e esteja a ser ingrata, a ignorar algo óbvio, a não saber agradecer.

Não sei. Por agora só suspiro e espero por uma resposta do Universo. De preferência que não me faça chorar e berrar mais ou que me tire mais tempo. Só me faltam as minhas cinco horas de sono para gastar.

Enfim... Sei lá.

A autora

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