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Violet Clouds

Ser o Grinch ou não ser?

Eis a questão.

Acho que se qualquer versão passada de mim tivesse a chance de viajar até 2017 e lesse uma coisa destas, comia um ensaio de chapadas. Nunca me passaria na cabeça de alguma vez colocar o meu espírito natalício em questão. Eu, que sempre contei os dias até à véspera de Natal e procurei oferecer prendas que, em vez do valor monetário, tivessem muito mais valor simbólico. Que sempre andei empolgada para fazer a árvore de Natal e que fugia da mesa da Consoada para estar sossegada ao pé das luzes do pinheirinho, no escuro da noite. Ao menos tranquilizar-me-ia ao afirmar que este change of heart não proveio do consumismo. Sempre fui contra isso, sempre serei.

Mas antes de entrarem em pânico - euzinha do passado, euzinha do futuro e leitores que achem isto muito estranho - estou a tentar lutar contra esta "dor". Aquilo que de momento me obriga a questionar o meu amor pela época natalícia é algo muito mais pessoal e profundo. Mesmo assim tem sido uma luta constante para ter a certeza que não estrago o Natal a ninguém. Continuo a plantar a magia do Natal e a incentivar a escreverem cartas ao S. Nicolau sem qualquer hesitação, a olharem sempre ao próximo em vez do próprio umbigo. Apenas não me peçam para ser eu a escrever-lhe.

Em vez de prendas, ia pedir respostas. Respostas essas que sei que vou encontrando à medida que me tento levantar do chão e reencontrar a minha fé. Lembram-se de ter falado num post anterior que estava noutra casinha? Pois é, ainda se mantém. Não é uma mudança permanente, mas é um espacinho que sempre pude chamar de "meu". O trabalho das explicações e outro certo trabalhinho do qual espero poder falar-vos daqui a algumas semanas tem consumido muito do meu tempo e precisei urgentemente de sair da casa de onde estava, onde era interrompida a torto e a direito por conversas que não se lembra nem ao Menino Jesus. Ali não há prioridades e precisei de criar uma imediatamente.

Não vou jogar oportunidades fora quando mais preciso delas.

Adiante. Não me é estranho viver numa casa sozinha. Desde miúda que fui habituada a ter tarefas de casa, a cozinhar algumas coisinhas e a ter o meu espaço o dia todo. Também nunca gostei de ter uma casa muito cheia, o que é algo que consigo ter aqui - há muito pouca coisa, o essencial. Dou por mim a fazer a limpeza da casa num instante e ainda a procurar coisas que precisem de arranjo ou sacos que estejam à espera de uma revisão. Até implementei a reciclagem, que era algo que já queria fazer há imenso tempo, e comecei a plantar! Também tenho um hábito tremendo de falar sozinha, mas é ótimo para organizar as ideias. No entanto fez-me muita impressão passar a primeira noite sozinha. Quando me dei conta do sucedido, fiquei parva.

Passei por muitas aventuras e improvisos, fiz muita coisa que a maior parte dos miúdos da minha altura não costumava fazer. Mas nunca tinha passado uma noite sozinha em casa, sem ninguém perto ou com quem conversar. Confesso que o maior pânico foi mesmo na hora de dormir, porque com este tamanho e idade ainda tenho medo do escuro, mas achei algo de muito reconfortante e pacífico nessas poucas horas de silêncio. Tem sido toda uma experiência nova e revitalizante que a certo ponto, já estava mais do que na hora de a ter. E no meio de toda esta crise pessoal que tenho enfrentado, onde tenho feito muita força para que aquela luzinha especial não se apague... Fiz a minha primeira árvore de Natal.

E foi aí que pensei com os meus botões, devo ter-me tornado no Grinch. Mas espero que seja como foi no fim do filme.

Espero voltar a ter fé no Natal, nos sonhos e na esperança de ser feliz.

 

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