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Violet Clouds

A caloirinha conta #4 - A turma

Disclaimer: Estou-me a borrifar para as consequências possíveis deste post. Mas olhem, à larga.

 

Comprometi-me em ser sincera convosco, so here I am.

A saga de trabalhos atrás de trabalhos já começou. São pequenos mas muito amontoados. Também já começou a saga de visitar a biblioteca regularmente para poder obter os recursos necessários para todo o restante curso e, antes que me apedrejem, não tiro fotocópias dos livros. Também não faço algo concretamente correto quando os digitalizo para uso próprio, mas não o faço pelo dinheiro.

Honestamente tomei esta decisão porque não quero acumular os livros e muito menos uma pilha de fotocópias que se vão estragar 10x mais depressa. E atenção, eu adoro livros. Olho para eles na bancada do IPS à venda e penso em levá-los todos. Mas não teria onde os pôr e estaria a gastar ainda mais papel. Sou menina de comprar a versão digital, mas enquanto não houver, a mana desenrasca-se.

Agora, os trabalhos em si... Oh boy.

Tenho aqui conversa para três tardes e um serão de novelas da TVI.

A parte má do meu curso é sermos apenas uma turma, com discrepâncias na faixa etária muito alargadas. Compreendo que é tudo uma questão de adaptação e que no mundo do trabalho vamos trabalhar muitas vezes com quem menos gostamos (sei disso bem demais, até) mas olho para outras turmas com um pouco de inveja por faltar aquele espírito de companheirismo. Nunca pensei que na escola onde estou houvesse a velha separação de "caloiros e não caloiros". Pensei que já éramos grandes demais para essas coisas.

"Mas não estavas a falar em trabalhos?"

Sim, estava e estou. Calma. É que o mais absurdo é que isto afeta a parte em que temos de trabalhar em grupo a largos passos. Tenho assistido a birrinhas, tais como "temos de refazer turnos porque foram feitos quando já estávamos a fazer os trabalhos"(os turnos foram feitos antes dos trabalhos na semana das praxes, eles é que não estavam lá...), ou "quero mudar de turno porque quero estar com a minha amiga". Depois de quinhentos avisos em que os grupos vão rodar, a bem ou a mal. Graças a Deus eu tenho uma companheira de grupo excelente, mas que infelizmente vai sair no fim do mês para algo que ela quer muito. E a ela desejo-lhe as maiores felicidades e farei os possíveis para que no regresso dela para o próximo ano, ela não fique desamparada.

Se formos a ver, eu já antecipava algo assim, mas acho que nunca ninguém fica à espera de tamanha aventesmice. Mas pronto, estamos todos a aprender e quiçá a turma mature um bocado...

Eu honestamente duvido muito mas eu sou ruim, portanto, seja o que Deus quiser. O que importa é que isso não me desmotiva do curso, que me está a fascinar cada vez mais!

Boa tarde,

 

Daniela

 

 

A história de terror das tupperwares

Um título alternativo para este post seria "Os horrores de destralhar uma casa de acumuladores #quinhentosmilequalquercoisa".

Sempre ouvi falar no drama das tupperwares. Que, magicamente, as tampas desaparecem e quando as emprestamos, nunca voltam; que começamos por uma ou duas e alguns meses depois elas procriaram e invadiram toda a tua dispensa.

E a minha dispensa, só por acaso, é horrorosamente pequena.

Na necessidade de encontrar uma caixa hermética para levar o almoço para a escola, decidi mergulhar naquele mini-cubículo. Pensei para mim "Sim, são muitas, mas fizemos uma limpeza o ano passado, portanto não deve ser tão grave". Não, gente, foi péssimo. Horrendo. Nossa Senhora da Trindade, acuda-me, pelo amor de Deus. Há caixas por todo o lado, em cada buraco, atrás de móveis que eu cuidadosamente arrumei o ano passado. Tenho mais tampas transparentes de sopa do que propriamente as caixas, que já voaram algures. Caixas de gelado da Olá de 1999.

Tenho tampas sem caixa e caixas sem tampa. É um pesadelo.

Em centenas de caixas (nem mais nem menos e nunca num contexto de exagero, garanto-vos) só vinte e poucas caixas tinham o seu par.

E da minha caixa hermética, só encontrei a tampa...

É que além de estar cansada, fico triste: com tanta caixa em casa, andava eu preocupada em comprar uma marmita. Fora o facto de ter tanto espaço ocupado inutilmente. Além de que isto é mais uma facada na minha tentativa de instaurar o minimalismo cá em casa. Vocês podem tentar imaginar o que é eu estar a parejar caixas e ter alguém atrás de mim a chorar para não as jogar fora, como quando fazemos limpezas gerais aos brinquedos de um filho ou de um irmão e a criança está em casa a rogar aos céus para termos piedade dos brinquedos dela. E eu nem queria jogar nada fora, senão o que estivesse partido... Ou desemparelhado!

 

Future me, note to self: NÃO COMPRES CAIXAS, PORRA.

 

Do blog

Já não fazia isto há tanto tempo.

Sentar-me, ligar o computador e correr o meu blog. Ver postagens antigas, responder a comentários e ponderar sobre o que falar-vos a seguir. Agora tenho temas, uns de derreter corações, outros talvez controversos.

Num mundo em que me sinto como uma peça do puzzle que não se encaixa, penso muitas vezes sobre o conteúdo dos meus posts. E penso naquilo que vos comento - se digo as coisas certas, da forma como realmente me sinto. Numa sociedade em que caras não mostram corações, o blog sempre foi um dos meus pontos de escape preferidos. Chego aqui e penso em dar uma cara nova à página, como quem decide cortar o cabelo e mudar o visual. Percorro blogs amigos e vejo se ainda cá andam, o que de novo contam.

É triste estar tanto tempo afastada daqui, ou forçar-me a publicar sem qualquer conteúdo (que ocorreu muita vez nestes últimos quatro anos).

Ah, mas quando se volta com o peito cheio de luz e boas novas e saudades disto... Sai um sorriso de orelha a orelha, depois de todo um dia a pensar no mundo. Afinal de contas, se queremos ver mudanças, temos de começar em nós mesmos, certo?

As nódoas negras na alma já não se fazem sentir. Ainda cá estão e a elas juntam-se outras novas, mas o sol continua a nascer. E eu quero muito isto - adotar uma nova forma de lidar com o mundo, já que nem a si mesmo ele lhe quer bem. E sei que não estou sozinha.

Sei que há por aí muito boa gente que também não se sente parte da mesma caixa.

Mas a quem por aí anda, nunca estamos sozinhos. E há quem cante para os seus males espantar, há quem durma e hiberne no mundo dos sonhos. Eu decidi desenhar o que voa pela imaginação e escrever pequenos textos sobre a minha vida. O meu mundo.

E nunca pensei ser tão feliz com tão pouco, no meio do escuro.

 

Hey, Autumn.

Please be gentle to me. ♥

Agradeço a todos pelos vossos comentários nos últimos posts. Fico tão contente ao ler o vosso carinho e quero responder-vos e voltar ao meu ritmo normal muito em breve. Hoje então termina o Verão para dar início ao Outono, que é a minha estação do ano de eleição.

E este ano tem um sabor especial. Finalmente pude acompanhar as campanhas de material escolar, o pêndulo habitual de casa - faculdade tornou-se uma realidade. Já se nota uma leve diferença na brisa e nos raios de sol do fim da tarde, apesar do calor que persiste. Mas sinto-me cansada, doente.

Talvez esteja ainda a recuperar de todo o stress causado pela entrada na faculdade, pelas candidaturas, pelos problemas adjacentes a que se agregaram. Às vezes sinto que tenho de cuidar de mim porque senão, não consigo acompanhar este novo ritmo. É como se tivesse tudo novamente onde devia estar, mas fiquei sem energia para recomeçar o caminho. Ok, preciso de descanso. A diferença social que se estabelece no meu ambiente vai-se dissipando aos poucos. As idades passam a não ser a questão, mas sim a mentalidade que nos distingue. Mas não estou sozinha e isso não me vai afetar.

Sinto-me doente, exausta. Como se quisesse parar um pouco mas não pudesse. Como se pudesse seguir em frente mas sempre com a necessidade de olhar para trás. Tenho medos e preocupações fora desta nova etapa que se mantêm e me deixam inquieta. Mas sempre olhei para a sensação de doença como uma necessidade fisiológica de nos retirarmos por breves momentos para uma curta fase de retrospeção onde podemos respirar fundo e ganhar a noção do que realmente se passa e do que faz parte do meu essencial.

Fora do barulho e do alarido, das alegrias e das tristezas, das obrigações e das desilusões.

Pode ser que o Outono me traga a paz que preciso para acreditar que o pior já passou e que vai ficar tudo bem.

 

 

A caloirinha conta #2 - Primeiros dias e semana de integração

O pior já passou e já pude respirar fundo.

A papelada está tratada, a ansiedade começa a dissipar-se. Estes primeiros três dias foram para as cerimónias, apresentações e integração escolar, feitas antes que todas as outras escolas entrem em funcionamento. Fomos apresentados aos órgãos internos escolares, a outros cursos e a outros anos.

Eu corria pelos corredores e enquanto que havia todo um misto de emoções e excitação para esta nova etapa, tinha dois problemas grandes:

Primeiro, não encontrava ninguém do meu curso e do meu ano.

Por fim, gostava de não os ter encontrado, porque mesmo os finalistas são muito mais novos que eu.

Claro que nem toda a gente é igual e que era de se esperar, mas senti-me rapidamente isolada no meio de toda a gente, muitos que nem 18 anos têm. Temos todos mentalidades já muito distintas e houve até já quem me descartasse, embora isso apenas me faça rir por acharem que eu me vá importar. Parte de mim quer dar dois estalos a metade daquela gente e relembrá-los de que aquilo já não é o ensino secundário. Mas em toda a minha consciência sei que não só isso será uma perda de tempo, como estarei a tirar trabalho à própria vida deles, que se encarregará de lhes entregar as devidas lições que todos nós de certa forma temos de engolir e evoluir. Evidentemente, fugi para perto das mais velhas, com quem consegui conviver em condições e me acalmaram. Relembraram-me a minha suspeita - ter cuidado numa turma maioritariamente feminina, porque existe uma grave tendência para a criação de problemas desnecessários. Já o sabia, não me é novidade. Cheguei ali com o intuito de evoluir como pessoa e honestamente, as amizades são um acréscimo e não uma necessidade, o que acaba por lhes dar um valor extra. Estamos todos no meio dos lobos e por isso temos de ter cuidado e defendermo-nos.

Assim que me relembrava do que estava mesmo ali a fazer, sorria como uma maluquinha. Finalmente tinha entrado - mesmo que fosse sinal de mais trabalho - mas ultrapassei uma barreira muito grossa de médias e idades.Os professores motivavam-nos, as paletras elucidavam-me e mesmo que me sentisse rodeada de pessoas com quem não me identificava, não tinha medo. Amanhã virão mais, com quem já conversei. E para a semana vêm os meus amigos, os que já conheço, os que estão na mesma situação que eu.

Portanto, se alguém se sente sozinho, tenham calma. Não é no primeiro dia que se vê tudo. Há imensa gente que vos quer ajudar, mas muitas mais que vos quer pisar e passar por cima. Mas haverá muito tempo para separar o trigo do joio e acima de tudo, nunca percam o vosso foco. Equilibrem o estudo com o divertimento e aproveitem os anos mais rápidos das vossas vidas.

Afinal de contas, estão a montar o vosso futuro. E a criar memórias para mais tarde recordar.

 

Un petit a part #59

Já dei a volta a todas as minhas gavetas e mais algumas à procura de tudo o que possa ser necessário. Continuo com o compromisso de evitar comprar seja o que for até 2019, ainda assim lá comprei um caderninho A5...

Já li comentários muito úteis e outros muito tristes nas redes sociais acerca do assunto.

Já fui acalmada e já acalmei outros tantos mais novos que estão a passar por isto pela primeira vez. Mas os nervos são iguais ou talvez maiores.

Por muito que consulte um contador online, não preciso - há quem conte por mim e o expresse. E quando o fazem, quase que me provocam um AVC, mas não fico chateada. Pelo contrário - parte de mim fica orgulhosa por ver que ainda há alguém da geração mais nova a querer lutar por um dia melhor.

Portanto, no fim de contas:

♥ Isto tudo obrigou-me a fazer uma limpeza de Primavera muito atrasada aos meus pertences e, com alguma influência vossa, a desfazer-me de muita coisa inútil.

♥ Como se alguém tivesse adivinhado, a Amarsul fez-me o favor de voltar a espalhar pontos de reciclagem e fez de mim a verdocas mais feliz de Portugal.

♥ Com isto, passei a ter mais espaço e não pretendo preenchê-lo.

♥ Dei um mortal para trás de tanta alegria por ter apanhado um desconto de 35€ numa mochila que me vai dar para tudo e mais alguma coisa durante uns bons dez, quinze anos.

♥ Já voltei a ser branca e não azul, portanto o verão não foi tão penoso quanto achava. Viv'á praia e às estrias brancas que, incrivelmente, adoro-as.

♥ Estou a dar em louca a cada dia que passa com o medo e a ansiedade, mas vamos ver onde é que isto vai parar. Até agora a missão "Fica calada até ao fim" está a correr bem. São só mais 16 dias e 11 horas.

 

 

Sobre o bullet journaling

Uma palavrinha muito rápida sobre a minha experiência com o bullet journaling.

Foi uma furada, gente, e passo a explicar o porquê:

♥ Supostamente o estilo do bullet journal está ao nosso critério (daí o interesse) mas entretanto faz-se sempre referência a agendar os nossos dias. Já tive o meu fair share com o sistema de agendamento semanal, mensal e diário e senti-me presa ao calendário. Por algum motivo também não uso relógio. Não gosto de ser escrava do tempo e quando quero ver as horas ou deixar um lembrete para a minha pessoa do futuro, uso as notas do telemóvel.

♥ Dei por mim numa redundância infinita. Comecei a repetir listas que já tinha feito antes, a revisitar coisas pré-estabelecidas e a anotar coisas inúteis. Ao fim e ao cabo, se é esta a lógica, então o bujo já existe na minha vida há anos, muito antes de ser moda; a diferença é que não decoro as páginas com pinderiquices.

♥ Aquando das mesmas pinderiquices, não tenho paciência. É tudo muito giro, muito bonito, habit trackers e temas para cada mês. Mas é uma furada no meu cérebro perder tempo com decoração de uma agenda DIY quando podia estar a gastar esse mesmo tempo nas minhas ilustrações.

♥ Referido já acima, já faço listas há imenso tempo e com o passar dos anos, passei certas coisas para o formato digital, como as wishlists, por exemplo, por questões ecológicas. Fiz um trato comigo mesma em como não compraria mais papel desnecessário até 2019 mas já vi isso a ser quebrado, portanto vou ter de renovar contrato para 2020. Ao menos se é para gastar papel e tinta, que seja de modo eficiente e económico.

 

Conclusão: para mim foi uma perda de tempo repetir algo que já me acostumava a fazer por outros padrões e pontos de vista. Se a lógica era adotar um estilo livre de agendamento pessoal, é meio mau chegar a um ponto e ver que aquilo não tem cara de bullet journal porque, à priori, te esqueceste do ponto central que queria evitar, que era a criação de uma agenda.

Portanto vou voltar às minhas listinhas, sem planos semanais e quantas vezes bebo água por hora, e quero lá saber das modernices. Fico-me por ver os vídeos, que me deixam mais interessada no material de desenho do que propriamente na execução.

...

Um dia sonhei com uma vida.

Penso que todos de nós passámos por isto. Uns mais extravagantes, outros mais realistas - mas todos nós quisémos um tecto, uma ocupação e um objetivo de vida.

Um dia sonhei com uma casa. E casa é onde mora o coração. Muitas vezes olho para o nada com mágoa no peito e choro em silêncio com saudades de casa, casa essa onde estão os que eu amo e que estão próximos de mim, mesmo longe. Onde estão aqueles que mesmo com o passar dos anos, o reencontro é uma festa e foi como se nos tivéssemos visto há apenas uma hora. Casa é aquela onde não sinto necessidade de fugir para lado nenhum e lá construo os meus alicerces. E depois de muitos desgostos, ainda que pareça que não aprendo com os erros, sonho com esse lar, num dia em que não haja mais nada para mim.

 

Um dia sonhei com uma profissão, uma que me prometa a sensação de dever cumprido e não de um salário altissimo. Não descurando da necessidade do dinheiro, em plena honestidade, mas dinheiro infeliz é uma ferida aberta na alma que nos roga diariamente para lhe pôr um fim. Sei que existe o equilíbrio entre o útil e o agradável. Sei que somos só gotas no oceano, mas gota a gota faz-se a diferença.

 

Um dia sonhei com família. Longe dos estereótipos de família de quatro ou cinco que conversam ao jantar e fazem piqueniques ao domingo (é só um exemplo, não condeno quem o pratique). Sonho com aqueles que caminham comigo lado a lado, que me apoiam nas lutas e celebram as vitórias, que me agarram nas derrotas e não me deixam cair. Sonho com os que estão e com os que virão, com quem realmente possa contar. Família não é apenas sangue. Amigos também o são. E todo o seu conjunto cria um lar.

 

Um dia sonho com o mundo. Sou um bicho tinhoso e vou ter pena de quem trate de mim um dia mais tarde num lar de idosos, porque tenho ideia de que vá fugir ou refutar muita vez. Sonho que um dia, mesmo sem a coragem e a oportunidade para tal, possa pegar na mochila e ir para onde a estrada me levar. Conhecer sítios novos, pessoas novas, lutar pelos meus objetivos. Perder-me em caminhos, deitar-me no chão e contemplar o Universo de onde tudo surgiu, conversar com o vento e o mar sobre mil e uma coisas.

 

Ser ambiciosa poderá ser, em perspetiva, querer tudo isto de uma vez na mão e tomado por garantido. Mas sempre soube que as estrelas só brilham no escuro da noite, e é nesse anoitecer silencioso que choro e rezo por estabilidade. Talvez sonhe com tudo isto, sim. Talvez sonhe com muito mais.

Mas se pedir desejos é real e eu possuísse essa chance, desejaria apenas a força e a oportunidade para lutar por eles. E quando falta a força para o simples acto de pedir um desejo aos céus, é porque tudo o que nós realmente procuramos é por uma oportunidade de não desistir e abrir passagem para a nossa luta e trabalho árduo.

É difícil. Mas um dia sonhei com a minha vida - e não peço nada mais do a luz para me guiar.

Boa noite,

Daniela

 

 

Palpitações.

Isto não é saudável.

Quer seja do foro físico ou psicológico, isto não é saudável, nem de perto nem de longe. Não sei lidar com as emoções que me assolapam. Quanto muito, consigo aguentá-las para que as tarefas sejam executadas com a maior eficácia, mas depois é uma tempestade que se segue de medidas catastróficas. Às vezes não sei se o faço de propósito e se o conseguiria evitar ou se é mesmo de mim, aparece sem aviso. Há dias em que consigo tomar as rédeas do meu nervosismo e até fica tudo bem.

Noutros dias, não tanto assim.

Noutros dias, corre-me tudo em rodapé pela cabeça, o mais e o menos provável, as contas todas, os prós e contras, as exceções, os perigos; às vezes um simples ponto multiplica-se em intermináveis caminhos e desfechos. Muitas das vezes a mente está em descanso mas o corpo não pára. O sangue corre e eu só pergunto "porquê". Porque é que corres tão rápido se não estás em perigo? Porque é que aceleras tanto se não tens nada a perder.

Porque é que não páras, consciente e inconsciente, e encontras um meio termo?

Se procuras tantos cálculos e possibilidades, como é que encontras a margem de erro e o ponto cego mas neles não descansas? E acima de tudo isso, porque é que simplesmente não arriscas?

Se, no fim de contas, é tudo um jogo de probabilidades que avança como um jogo de dominó fora do teu controlo?

Não sei.

Há dias em que a maré está calma e há vista para um futuro onde, mesmo com todos os possíveis obstáculos, há força para o enfrentar. E depois há dias - ou mesmo horas antes, como é o caso - em que uma simples palavra, presença ou respirar me coloca em estado de alerta.

Há dias em que eu só queria ter força suficiente para não perder a cabeça e acreditar em mim mesma quando profiro, muitas vezes em vão, de que sou capaz de ultrapassar a situação e de resolver um conflito de minutos ou de anos.

Enfim. Existem dias em que apenas gostaria de saber dançar na chuva.

 

 

Un petit a part #58

(Em compensação do anterior, este vai ser mesmo petit, sim?)

 

Sabem aquela sensação lenta e suspeita de que vem aí bosta quando começam a aparecer sugestões frequentes, coincidências ou seja o que for a fazer referência a alguém que vocês não vêem há uma resma de anos, mas também não estão interessados em vê-los porque imediatamente isso significa que vai dar bosta da grave?

Daquela que dá uma sensação bem pior do que passar pelo Montijo de janela aberta e exclamar: "Ah! Cheirinho a gado!"?

 

É mais ou menos isso que se está a ocorrer. Queira Deus estar enganada e ser só mesmo coincidência.

A autora

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