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Violet Clouds

Um dia sonhei com... #6 - A minha casa

Há dias em que sonhamos acordados.

Certos dias em que parece que estamos a viver um sonho e nos beliscamos e voam sorrisos de orelha a orelha. Outros tantos em que sonhamos acordados, de lágrimas a correr pela face abaixo.

Há dias, dias longos e vazios, em que sinto falta de casa.

Quero voltar. Quero ir para casa, onde pouco ou nada se ouvia senão as ovelhas que pastavam ali perto ou o som dos grilos. Quero voltar a acordar com o nascer do Sol e o acordar da vila, quero dizer bom dia a toda a gente ainda que não os conheça. Quero, quero tanto, fazer os meus caminhos pelos trilhos da mata, apanhar um ou outro rebanho feliz, colher amoras das silvas, chamar por familiares - sim, os do coração - à janela e conversarmos por horas.

Quero voltar a comer aqueles croissants divinais que só voltei a encontrar nos cafés da estação do metro da Alameda e que me fizeram chorar o resto do caminho com saudades. Quero pôr mais lenha na lareira no inverno, brincar com as folhas no meio da estrada sem medos no Outono, quero ir e voltar da praia a pé com risadas, quero passear outra vez pelas muitas ruas das árvores sem fim.

Apanhar estrelas do mar.

Ir jantar ao Sabor a Mar outra vez.

Descobrir caminhos que não tive oportunidade de visitar. Visitar a capela do Senhor da Pedra para ver o pôr do Sol. Sorrir e admirar as casas que se decoram com tanto aparato na altura do Natal.

Abraçar os que me fazem falta. Os que me amaram sem olhar ao meu corpo, mas ao meu coração. Quero dar as mãos a quem chamei família.

E eu sei que já não tenho lá casa. E que quem me abriu o caminho para lá já não está cá. Mas das minhas coisas que lhe agradeço, ficarei sempre grata por alguma vez ter conhecido o significado de "lar" e "família", mesmo junto de quem apenas acabei de conhecer.

Eu quero tanto voltar, e choro tanto por querê-lo com tanta força, que por vezes não sei se foi benção ou maldição.

Mas ao menos no meio do desespero eu sei que quando tudo falhar, quando tudo deixar de fazer sentido, eu tenho para onde voltar.

Um dia senti o coração pesado e sonhei com o meu lar, e adormeci embalada pelas minhas lágrimas e pelas memórias felizes que ainda me fazem continuar.

 

 

Palpitações.

Isto não é saudável.

Quer seja do foro físico ou psicológico, isto não é saudável, nem de perto nem de longe. Não sei lidar com as emoções que me assolapam. Quanto muito, consigo aguentá-las para que as tarefas sejam executadas com a maior eficácia, mas depois é uma tempestade que se segue de medidas catastróficas. Às vezes não sei se o faço de propósito e se o conseguiria evitar ou se é mesmo de mim, aparece sem aviso. Há dias em que consigo tomar as rédeas do meu nervosismo e até fica tudo bem.

Noutros dias, não tanto assim.

Noutros dias, corre-me tudo em rodapé pela cabeça, o mais e o menos provável, as contas todas, os prós e contras, as exceções, os perigos; às vezes um simples ponto multiplica-se em intermináveis caminhos e desfechos. Muitas das vezes a mente está em descanso mas o corpo não pára. O sangue corre e eu só pergunto "porquê". Porque é que corres tão rápido se não estás em perigo? Porque é que aceleras tanto se não tens nada a perder.

Porque é que não páras, consciente e inconsciente, e encontras um meio termo?

Se procuras tantos cálculos e possibilidades, como é que encontras a margem de erro e o ponto cego mas neles não descansas? E acima de tudo isso, porque é que simplesmente não arriscas?

Se, no fim de contas, é tudo um jogo de probabilidades que avança como um jogo de dominó fora do teu controlo?

Não sei.

Há dias em que a maré está calma e há vista para um futuro onde, mesmo com todos os possíveis obstáculos, há força para o enfrentar. E depois há dias - ou mesmo horas antes, como é o caso - em que uma simples palavra, presença ou respirar me coloca em estado de alerta.

Há dias em que eu só queria ter força suficiente para não perder a cabeça e acreditar em mim mesma quando profiro, muitas vezes em vão, de que sou capaz de ultrapassar a situação e de resolver um conflito de minutos ou de anos.

Enfim. Existem dias em que apenas gostaria de saber dançar na chuva.

 

 

O que tem de ser, tem muita força.

Perdão pelo despejo de palavras, de sentimentos, talvez até por alguma revolta. Talvez não tenha muito para dizer.

Estou a fazer imensa força para me conter, para não rebentar e dizer coisas que não quero. Estou a largar mão de oportunidades que me caíram do céu. Porque há gente que não pensa, gente injusta, gente que não tem dois dedos de testa.

As palavras não fazem sentido, este turbilhão é pesadíssimo. Sei lá.

 

Deus sabe o que faz. E não dorme. De alguma maneira isto tem de ser resolvido.

Espero eu.

Un petit a part #56

Primeiro, parece que o Violet Clouds teve direito a um destaque e, como desnaturada que sou, não dei por isso. Mas! Obrigada pelo feito, Sapo. Fizeram-me sentir que talvez não esteja assim tão perdida por aqui.

destaque.PNG

E segundo, hoje é daqueles dias que só apetece entrar num comboio ou num avião às escondidas, sem sequer olhar para o destino, e não querer voltar.

Nota: a verdade é que escrevi isto ontem e lá ficou nos rascunhos, mas a vontade continua a ser a mesma.

Quero desaparecer. Ou voltar para onde me senti bem. Ou feliz. Ou capaz de ter forças para ultrapassar tudo isto.

 

Se me seguem no Instagram sabem que perdi recentemente a Lucky. E talvez não saibam tanto assim, embora o tivesse mencionado no post anterior, acerca de tudo o resto. Sei lá. Há dias de derrota, dias que simplesmente se questionam crenças e se quebram motivações. É daqueles dias do "sei lá".

É daqueles dias em que é difícil crer num amanhã melhor.

 

Nem sei que título dar a isto

Acho que já me desabituei tanto a escrever que nem tenho uma ideia clara para um título.

Quis vir aqui, enquanto hoje ainda tenho tempo, mesmo só para dizer que ainda não caí para nenhuma valeta ou fui raptada por aliens (sinceramente, não tarda dão-me por desaparecida). Até podia entrar em detalhes, mas não quero carregar o post com tudo o que se tem passado. A verdade é que neste momento tenho muito pouca coisa fixa na minha vida, nada tomado por garantido, mas também não há nada que consiga agarrar.

Estou literalmente a estudar e a trabalhar ao mesmo tempo. Durante algumas semanas estudava em tempos mortos, horas de almoço ou idas à casa de banho, porque fiz 14 horas de trabalho diárias e chegar a casa era sinal de não poder pegar mais nas páginas. Tiro fotografias a tudo (meu rico Google Drive, eu gosto tanto de ti) e ignoro quando as pessoas me chamam "viciada" nas redes sociais - tadinhas, se o Fernando Pessoa andasse no Facebook ficava ainda mais taralhoco. A verdade é que apenas ando ativa no Instagram, que é a única rede social que consigo consultar mais rápida e menos deprimente (só não apago a minha conta de Facebook porque senão o pessoal não me identifica em coisas decentes mesmo).

É difícil ignorar os idiotas e os presunçosos, é extremamente irritante tentar ignorar os bêbedos, mas por incrível que pareça, ainda prefiro isso a estar em casa, o que é no mínimo estranho. Agora estamos a tentar encaixar um horário menor, onde só faço 8 horas e uso a manhã para fazer algumas compras e estudar o máximo possível. Tenho dois meses e meio, escolhas novas e muitos nervos à flor da pele e estou a rezar por tudo e mais alguma coisa para arranjar mais tempo, para conseguir estudar mais e para fugir deste manicómio pessoal em que estou inserida. Na parte positiva, descobri que sou capaz de muito mais coisas do que aquelas que imaginava e que se consigo fazer o que estou a fazer, então consigo enfrentar aqueles medos enormes que tinha de não me organizar num simples trabalho de 8 horas diárias e ainda ter vida pessoal.

No meio de toda esta geringonça toda, e por muito que as pessoas não o queiram, sinto uma ponta de orgulho por ainda não ter começado a tapar a cara com máscaras de personalidades que não são minhas. Já fui mais afetada por críticas que me apontam como "pouco engraçada" e "muito fechada". Mas estou ali para trabalhar, não para entreter. E se consigo ser resiliente a esse ponto então acho que ainda não me perdi para a loucura da sociedade. Enquanto puder ajudar em casa sem que me perca nestes objetivos, eu tenho algo onde me apoiar quando o barco se quiser virar ao contrário.

Saber que dentro desta tempestade horrível ainda tenho quem me segure e quem me faça remar contra a maré, apesar das lágrimas que me suscita, é a luz que me guia. E espero que assim continue. E hei-de lá chegar.

 

Portanto, rumo ao 40 (sim, porque a gente diz que quer um 20 e sai um 15. portanto calhar se for para o 40 sai o 20 do saco) e por favor perdoem-me se não tenho nada melhor que vos diga senão a pouca fé que tento engrandecer e abraçar para não cair de vez.

Porque não posso cair. Tenho quem segurar também.

Junho, por favor, leva o tempo que tiveres de levar até chegar.

 

 

Feliz 2018

Vem atrasado mas com boas intenções! Espero que 2018 vos traga tudo de bom e tudo aquilo que mais desejam em torno daqueles que mais amam!

 

Penso que vou já tarde para vos falar acerca das famosas resoluções de ano novo. No entanto, elas haverão de cá vir parar nem que seja noutro contexto qualquer. Ouvi dizer que 2018 ia ser o ano da mudança. O ano em que todos nós íamos virar o jogo, que íriamos ter força para nos levantar e determinar o nosso destino.

Até agora o ano 2018 tem-se querido tornar no pior ano da minha vida, e nunca achei que conseguiriam destronar 2016. Daí o meu atraso e daí vem, infelizmente, o anúncio de que este blog estará em hiatus pelo menos, e se Deus quiser e deixar, até Fevereiro, por motivos familiares e pessoais. Começo o ano de 2018 com coisas "boas", sempre uma por dia.

A minha Lucky tem de proceder a uma mastectomia, porque desenvolveu carcinoma mamário de grau II.

Um dos meus familiares teve uma trombose na sexta-feira. Graças a Deus que foi socorrida a tempo, mas agora está em estado de vigilância.

Há problemas em ambos os meus postos de trabalho: vão de pessoas desonestas até a encontrar falcatruas ilógicas efetuadas pelos donos anteriores em tudo o que é buraco.

O ecrã do meu computador partiu-se por causa... De frio! Ainda estou para entender esta...

E só porque nem isto, nem tudo o resto que escuso de mencionar, possa ser já que chegue, parti um dente sabe-se lá com o quê. Vai de anti-inflamatórios para cima para que o possa remover.

 

Se tenho de vos contar isto tudo? Claro que não. Mas assim ao menos denoto o quão sinistro e o quão grave está a começar o ano e no futuro espero poder celebrar o fim feliz de tudo isto. E se alguém tiver boas dicas que me dê, agradeço imenso. Já pensei em enfiar-me numa pia batismal de cabeça para ver se este despejo de azar se vai embora.

Acerca do Pai Natal Secreto, devido a tudo isto, demorarei um pouco a ir aos CTT, mas eles que me esperem, porque fazerem-me pagar uma encomenda expresso, sempre por causa da greve, para depois a coitada da rapariga não a poder lá levantar, ai ouvem ouvem. Mas ela há-de recebê-la sem problemas, espero eu. ♥

 

Pode ser que para o regresso do blog traga algo novo. Pode ser que no regresso possa respirar de alívio. Perdoem-me o testamento e a ausência mas não está mesmo nada fácil.

Beijinhos,

Daniela

Baby steps to somewhere.

Não tem sido fácil vir aqui.

Sinceramente nada tem sido fácil desde a semana passada. Não estou sozinha nisto, é um facto, mas se tenho meia hora por dia para descansar a cabeça é muito. Tenho ido para outro lugar dar algum descanso à minha tia porque estar em casa é demasiado mau. Acho que nem vou prolongar-me por aí.

Até lá espero por um e-mail que não me dá esperança nenhuma - nem sei para que vai haver uma segunda fase, não creio que ninguém vá sair dali. Já estou a começar uma turma de explicações nova, com segredos a meio. Tento rir-me para toda a gente, tento deixar as bocas e a "pena" passar-me ao lado mas ao final do dia cai toda a tristeza e a vergonha sobre mim. Eu já chego ao cúmulo de não compreender o porquê de me sentir envergonhada. Nesse departamento nem fui eu que criei o problema, não fui eu que espalhei a palavra. Não devia ser eu a frontend disto.

O gostoso do IEFP - not - também me espantou muito - muito not - por não terem nada para mim. Falam falam, que têm soluções, têm tudo, e vou lá eu meio desesperada e dizem-me que com o meu perfil nem sabem o que fazer. Se não andasse tão feita barata tonta, juro que ia a Setúbal.

No fundo, eu não sei já que fazer. Existem algumas luzes que piscam como se estivessem prestes a fundir-se, as quais observo sem saber se as deva proteger ou não. Lutar e proteger por sonhos não me tem levado a muitos sítios. E se for o negativismo a falar é nestas alturas que eu peço à vida que me mostre o contrário. Que me mostre que ao lutar temos o que queremos. Que sonhamos e temos de pôr o sonho em prática. Que quem procura alcança. Mas escusa de ser à besta, porque nem assim lá vai.

Há coisas que não compreendo. Talvez a felicidade tenha mesmo de ser vivida em segredo. Talvez tudo na vida tenha de ser planeado em segredo. Por agora a única coisa que entendo é que os dias continuam e eu não tenho outro remédio senão andar para a frente por uma estrada que não me mostra nem aponta para onde vou.

Talvez porque nem eu saiba já para onde deva ir.

 

.

Tennho tanta coisa que gostava de dizer. Quero tanto gritar até a voz falhar e os soluços pararem de uma vez só. Quero tanto, mas tanto, dizer do fundo do peito o quanto odeio o sistema, o quanto odeio os preguiçosos e também o quanto me odeio a mim própria neste momento.

Há tanta coisa para dizer.

Tanta coisa para pensar. Outra vez. Refazer planos, porque levei outra vez com a porta na cara. Já não sei para que lado me virar. Nem se me levante outra vez ou arrume as botas. Não que queira desistir. Mas é cansativo dar o litro, esperar verões inteiros, morder os lábios mil e uma vezes para não sonhar alto e depois cair tudo por terra sem sequer levantar vôo. Pela terceira vez. Talvez já esteja demasiado velha para estudar. Talvez seja sempre a azarada que leva com os erros do sistema. Qualquer dia pensam que é invenção minha, não fossem as provas.

Estou farta, estou cansada. Mas hoje não é dia de dizer nada. Por hoje vou só fechar os olhos e esquecer o dia de hoje, as horas de espera a fio, as várias asneiradas que voaram da minha boca.

Hoje é só mais um dia para me esquecer de que não consegui entrar na faculdade novamente.

 

 

Un petit a part #53

Note to self:

Não faças planos. Já sabias disso, que não se devem fazer planos seja de que forma for, a longo ou a curto prazo. Portanto não planeies de todo. Deixa a tentação de fechar os olhos e imaginar todo o resultado a partir de cada ação ficar apenas como isso mesmo, como algo a não mexer. Que os sonhos sejam só sonhos.

Por vezes o prazer de abrir as asas e voar por todo um céu de ideias e possibilidades não é mais forte do que a queda que se dá quando acreditamos mesmo nelas e a vida te faz aterrar à força. às vezes o receio que nós temos pouco antes de nos darmos a esse luxo, aquele de sonhar, era o melhor conselho que alguma vez devíamos ter conseguido.

Portanto vive o presente. O pouco que se aproveita de cada dia, já como o fazias. Assim nada te surpreende nem tão pouco te magoa. Aprecia cada momento, abraça cada segundo e não esperes pelo futuro para ser feliz.

Sê feliz agora.

 

 

Saber ter fé.

Antes de começar, eu sei. Enervar-me não me leva a lado nenhum, já tenho o não garantido, nunca se sabe quais são as voltas que a vida dá, tudo pode acontecer.

Eu tenho toda e perfeita noção disto tudo e quando falam comigo acerca do assunto "escola" sinto os olhos a lacrimejar e a fazer tudo para que não caia nada pela cara abaixo. Se não fosse a fé de quem acredita em mim, não tinha esta necessidade de me abrir à possibilidade de acreditar também. Conforta-me e motiva-me quando me dão força para não desistir e tentar ter fé.

É a terceira vez que estou a tentar mudar o meu rumo para evoluir. E é a terceira vez que procuro agarrar-me à fé. Sim sou religiosa e não questiono a minha fé em Deus. Acredito piamente que aquilo que é meu, a mim virá, seja qual for a resposta. A única que precisa mesmo de acreditar em tudo isto e ter coragem de abrir o coração ao risco sou euzinha, mais ninguém.

Já estamos em Agosto e por agora ainda não perdi completamente a cabeça. Espero que se mantenha intacta até Setembro. Faltam 43 dias para voltar a fazer contas à vida. Vou voltar ao blog - já tenho conteúdo a transbordar aqui, portanto está ótimo - e vou ser mais proativa.

E até lá dá-me um fanico, mas pode ser que esteja aconchegada quando for hora!

A autora

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