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Violet Clouds

As mudanças forçadas.

Dizer-vos que a situação do post anterior já foi superada seria a mesma coisa que mentir-vos com os dentes todos que tenho na boca. Mas as lágrimas já não são tantas, ainda que teimem cair quando lhes dá vontade.

Cá por estes lados já aceitámos que a decisão tomada foi a melhor. A própria cadelinha parecia ter entendido o que estava prestes a acontecer e não chorou de todo. Aliás, foi desencantar as poucas forças que tinha para nos dar um beijinho. Creio que tem sido mais difícil para mim e para a minha tia porque ficámos lá, a lado dela, sem nunca a abandonar. Não queríamos que ela partisse com a ideia de que nos tínhamos ido embora, que tinha ficado sozinha. Não a abandonámos nem no último instante. Por muito que as veterinárias nos avisassem das consequências psicológicas face ao ocorrido, apenas ouvimos e continuámos lá.

 

Agora estamos numa fase de mudanças forçadas, de adaptação incutida. Tem sido difícil ouvir a campainha tocar e não a ouvir latir desalmadamente. Por várias vezes entro em casa e levanto os sacos de comida, ainda a pensar que ela vai saltar-lhes para cima. Ou então tentamos passar com os sacos maiores e continuamos com a sensação de que temos de ter cuidado com os pés, para não a pisar. Até depois de jantar, quando há sobras, penso "Vou arranjar isto e meter-lhe no prato". Também ficamos com o coração apertado quando aos poucos, vamos achando as coisinhas dela, como os coletes de inverno e a trela. E connosco, as gatas (a da vizinha também) fazem o mesmo. A Lucky tem procurado por ela e a Linda entrou na minha casa de propósito para a procurar também. Custa vê-las também a sentir a falta da Nina. Mas pouco a pouco, continuamos o nosso caminho.

E para isso não é preciso esquecê-la.

 

Enfim. Tinha de desabafar... Ao mesmo tempo, ando de volta da caixa do correio à espera de uma carta do Centro de Emprego. Espero que não me tenham deixado para trás... Acho que ficava com vontade de rebentar com este mundo e o outro. Pretty pretty please, só quero ter algo útil e produtivo para fazer e para ajudar cá por casa.

 

Boa noite,

Daniela

Foi o fim.

A razão pela qual não tenho publicado nada ou respondido aos vossos comentários foi esta. Tenho tomado conta da minha Nininha. Levá-la ao veterinário todas as semanas, até todos os dias. Vê-la a perder o apetite, a vontade de passear, a deixar de ladrar. A não levantar a cabeça quando a chamávamos, a não correr até à porta quando a campainha tocava. A deixar de nos dar beijinhos. A perder o andar.

Tentámos os tratamentos, levá-la ao colo até à rua, dar-lhe comer à boca. Nada.

 

E hoje, tivémos de tomar uma decisão: acabar com o sofrimento dela. Já não havia nada a fazer. As veterinárias foram sinceras connosco nesse aspecto.

Vou ficar por aqui: não tenho vontade nenhuma de escrever.

Espero que ela nos perdoe.

A autora

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